Pontualmente, às 22h, os Pet Shop Boys subiram ao palco da Live Curitiba na noite desta quinta, 21. O que cai bem pra dois senhores ingleses. Neil Tennant e Chris Lowe saíram de trás de dois círculos que viraram lentamente para o público. O primeiro, elegante, de paletó e gravata negras. O segundo, todo de negro. Ambos com capacetes de mosaico metálico. Toda a programação visual do show teve a ver com círculos.

Assistindo a tudo isso, um público que dava facilmente para dividir em três categorias. A primeira inclui os mais velhos, provavelmente fãs das antigas dos dois. A segunda era formada por fãs de música eletrônica, que foram para ver mestres desta arte. E, claro, um público gay que cabe nas duas categorias. Todo mundo junto e dançando, como tem que ser. De acordo com estimativas da própria casa, foram vendidos cerca de dois mil ingressos – o que o local se transformasse em uma grande pista de dança, que foi se enchendo lentamente.

A apresentação começou só com os dois em palco – Neil no vocal, Chris nas programações. Aos poucos, a dupla abre espaço para a banda completa que os acompanha: dois percussionistas e uma jovem instrumentista de traços orientais que vem com seu violino elétrico. O palco e os efeitos multimídia já valem o ingresso - uma das marcas do duo formado em Londres, há 31 anos.

Assim como sua música, o show dos Pet Shop Boys é divertido e elegante. Irresistível para dançar. O repertório, porém, nadou no caminho fácil dos hits – a primeira metade da apresentação foi focada em belos lados A de seus mais de trinta anos de carreira. Entre elas, Inner Sanctum, New York City Boy, The Pop Kids. E para complementar, os figurinos de Neil acompanharam o setlist – para cada música, uma roupa diferente.

Por outro lado, é curioso e, de certa forma, trágico, que ouvir algumas músicas que têm como tema a Guerra Fria não soe tão nostálgico como já soou. Talvez tenha um pouco a ver com a regra dos dias atuais – em que o público canta junto, mas com os celulares em mão.

Já para finalizar a apresentação, fecharam o show com Go West, um grande hit dos dois (que originalmente é do Village People). Arremataram tudo com Domino Dancing e Always on my Mind no bis. Na saideira, quem estava na fila do gargarejo ainda saiu levando as bexigas gigantes que decoraram o palco.

Até quem não é de dançar, dançou. Tudo na apresentação teve a cara da banda – produção, figurinos, luz, palco. Soma-se isso à simpatia de Neil, que levou o público à loucura cada vez que dizia “Cureeteeba”, ver os Pet Shop Boys ao vivo é como ir ao melhor clube que se pode pensar.

Eletrônico, house, pop... Os dois dominam os estilos e, por muito anos foram o norte, os “machos-alfa” da música eletrônica. Daft Punk e tantas outras bandas devem muito a eles.

Foi uma bela festa.