Numa noite emocionante, Paul McCartney provou para 45 mil pessoas que muitas coisas podem mudar em um quarto de século – o tempo que separou suas duas visitas a Curitiba.

Outras são eternas e só mudam para melhor. O músico tocando com sua mão esquerda o baixo Hofner e cantando algumas de suas centenas de canções é a maior força da cultura pop dos últimos 50 anos.

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Misturando sucessos dos Beatles com lados A e B da sua carreira solo, Paul mostrou-se em grande forma aos 76 anos.

Ao lado de uma ótima banda, o músico mostrou o motivo pelo qual segue em frente na estrada, mesmo sendo o artista mais bem sucedido do mundo: porque ama sua música na mesma medida em que o público, de três gerações diferentes, o ama. E no final, o amor que se recebe é do mesmo tamanho daquele que se dá.

Paul entrou exatamente às 21h30, no palco montado no Estádio Major Couto Pereira, em Curitiba. Pontualidade britânica. Para alegria da plateia, cantou os primeiros versos de Hard Days Night, um dos maiores sucessos dos Beatles.

Mas ninguém ali queria dormir. E tão pouco a noite estava sendo difícil. Pelo contrário. O estádio lotado vibrou com a entrada do ex-beatle no palco.

De calça e jaqueta jeans, com sua tradicionais botinhas e o cabelo quase loiro, Paul dirigiu-se ao público pela primeira vez em português. “Oi, curitibanos. Boa noite”. Depois, resumiu o que seria o show, iria tocar os velhos e novos sucessos.

Paul lia expressões em português em “dálias“ espalhadas pelo palco, esforço que o torna ainda mais amável à multidão: "tamo junto”,  “massa”, “é hora de vazar”, “tamos Bombando”, "suave na nave",  “só as gurias”. O velho Macca falou todas as gírias que aprendeu em português, em momentos muito divertidos.

Houve momentos emocionantes. Como, por exemplo, quando Here Today foi cantada em homenagem a John Lennon. Emocionou muito também ao cantar Blackbird e clamar pelos direitos humanos. 

O momento mais romântico da noite foi quando Paul dedicou a canção “My Valentine” a sua esposa Nancy, que estava presente no estádio. Enquanto isso, no telão, Natalie Portmann e Johnny Deep apareciam no telão com o clipe da música, mostrando-o em libras. 

Paul mostra que está com a voz em dia cantando as notas altas de "Got to get you into my life", dos Beatles e destaca, ainda em português: “É ótimo estar de volta a Curitiba”. No palco, Paul tocou seu famoso baixo, guitarra, violão folk, dois pianos, ukulele e bandolim.

Houve momentos grandiosos como em Live and Let Die e divertidos em Obla Di Obla Da. Paul lembrou das origens do quarteto de Liverpool com In Spite of all the danger, primeira música do The Quarrymen, grupo que daria origem aos Beatles. No set list, também mandou algumas canções de seu álbum mais recente, Egypt Station, como Who Cares, Come On To Me e Fuh You.

NA NA NA NA

O show é dividido em duas partes até “Love me do”, Paul mescla Beatles, novas canções e algumas músicas especiais de sua carreira. Depois do primeiro sucesso mundial que compôs em 1962, são só clássicos e músicas cultuados dos Beatles e de seus trablahos pessoais.

Na ótima banda, sobressai a figura do carismático baterista Abe Laboriel Jr. Destaque nos arranjos para o trio de metais que faz o som da banda multiplicar. O palco enxuto, elegante, com efeitos especiais na medida certa, a serviço das canções, prova que Paul domina todas as frentes do negócio onde é o número 1 há pelo menos 50 anos.

A parte final do show foi catártica com seus uber hits Let it Be e Hey Jude, a última com um coral de vozes e um mosaico de cartões on de se lia o NA NA NA do refrão que deve ter acordado alguns beatlemaniacos enterrados no cemitério luterano, que fica a poucos metros.

Bis 

No bis, Paul e a banda voltara ao palco com a bandeira da Inglaterra, do Brasil e a bandeira LGBTQI.

O bis teve quatro músicas, Birthday, Sgt. Pepper’s, a porrada Helter Skelter e o final espetacular com a a reprodução completa da pequena opereta Golen Slumbers, sequência de músicas que fecham o álbum Abbey Road, as últimas gravaçoes dos Beatles..

Comunicativo, engraçado, competente e genial, Paul prometeu  - a exemplo do que já tinha feito em 1993 – que voltaria. Assim esperamos, pois se o mundo em constante mudança nos faz rir e chorar, o senhor McCartney sempre nos traz palavras de sabedoria: deixa rolar. Volte sempre que puder, sir.