A segunda edição do Coolritiba - Festival de Atitudes que Mudam o Mundo mostrou força, buscando consolidação no calendário de eventos da capital paranaense. Cerca de 12 mil pessoas passaram pela Pedreira Paulo Leminski neste sábado (5) para acompanhar o lineup formado por dezenas de atrações musicais locais e nacionais distribuídas em três palcos.

Desde as 14 horas dezenas de atrações fizeram de um dos mais emblemáticos endereços de entretenimento em Curitiba, uma grande “praia do curitibano”, reunindo um pouco de tudo o que o público da cidade curte: música alternativa, bandas da cena local, comida de rua, música eletrônica, moda local e arte.  

Música e protestos

No palco principal, o Cool, quem abriu os serviços foi a banda Francisco El Hombre, formada pelos irmãos mexicanos radicados no Brasil Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte e pelos brasileiros Juliana Strassacapa, Andrei Martinez Kozyreff e Rafael Gomes. E subiram ao palco puxando um discurso político protestando contra a prisão do ex-presidente Lula “Ele não deveria nem estar preso, mas ele está preso aqui em Curitiba. Cabe a resistência de Curitiba", entoaram antes de mandar a primeira música.

Na sequência, fizeram uma proposta de dinâmica para a plateia: dividindo o público em dois grupos. “Os poderosos sabem que para dominar o povo é preciso dividi-lo”, disseram, para na sequência convidar todos a “misturar-se, respeitando-se e trocando de lados.” Para fechar, elogiaram o público apelidando-o de “orquestra sinfônica da loucura de Curitiba.”

Em 2017 a banda tocou no festival em um palco menor e quase no encerramento. Este ano, eles subiram ao palco principal. “É muito emocionante abrir o festival é ser tão bem recebido", disse Sebastián ao finalizando a apresentação ensinando a cantar uma música nova com o trecho "a melhor cura é uma boa loucura."

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Protesto também marcou o show do Nação Zumbi, que iniciou com “Banditismo por uma questão de classe”, puxando um coro de “Lula Livre.” Nação fez um show de clássicos e regravações do último álbum (Refazenda),  espalhando o clima de manguebeat na Pedreira.

Finalizando a apresentação, teve a participação de Black Alien e uma aura anos 1990 e começo de 2000 tomou conta do palco com clássicos do Planet Hemp.

Entoando seu rap, Emicida foi o terceiro a subir no palco cool. "Levanta a mão de paz", pediu. Ele dividiu sua apresentação com a roqueira baiana Pìtty.

Até o início da madrugada ainda passaram pelo palco principal do festival, Anavitória, em parceria com Sandy e Outro Eu; Jenni Mosello; Iza e, para fechar, o BaianaSystem.

Numa apresentação catártica, Ijexá, afoxé, dancehall, pagodão, sambareggae, cumbia, chula, dub, cabula, kuduro, samba duro, cantiga de roda e acordes eletrônicos se misturaram ao gingado de todos que estavam na Pedreira Paulo Leminski. A prerrogativa de mudança está no som experimental, na linguagem e no discurso. "As máscaras que a banda usa mostram o poder de transformação. Acreditamos que a linguagem visual pode estar ligada a muita coisa, vai desde a sensação da cor à tradução de comportamento”, esclareceu Filipe Cartaxo, que é o comunicador por trás delas. Cartaxo é irmão do guitarrista Roberto Barreto.

O cantor e compositor Russo Passapusso fez a platéia repetir em alto e bom som: "Marielle (sempre) presente!". O show do Baiana é muito forte e de muita manifestação cultural. 

Outras atrações

Outros dois palcos completam as atrações musicais do festival. No Arnica, seis bandas se apresentam. Quem abriu foi a banda Pallets, escolhida em um concurso promovido na página do evento no Facebook. As demais bandas são Scalene, Dingo Bells, Trombone de Frutas, Rincon Sapiência e O Terno.

Reforçando o leque de diversões com a cara do curitibano, o Coolritiba levou um dos clubes de grande sucesso na cidade para um palco: o Paradis. Por lá rolaram cinco festas de estilos musicais que fazem da casa uma sensação na cena noturna da cidade: Só o soul salva, Clube do Passinho Baile – Charme, Dream Team do Passinho, Dance Like YourSelf e Brasilidades.

Na praça de alimentação do evento os estabelecimentos com comida de rua democrática aportaram na pedreira com o Pizza, o MeatPack, o VegLev, O Barba Hamburgeria, o Cantinho Vegan e o Whatafuck Hamburgeria, todas do “eixo Trajano e Vicente”, como definiu Bruno Neves, sócio-diretor da Seven Entretenimento, que é a produtora do Coolritiba.