Bares e Baladas

Veterano da Marinha americana abre saloon típico em Curitiba

Por: Sandro Moser
Veterano da Marinha americana abre saloon típico em Curitiba

Um dia, enquanto varria a calçada à frente de seu saloon, Earl Watkins foi parado por um velho morador da rua Saldanha Marinho. “Ele veio me dar os parabéns por investir meu trabalho nesta rua, pois ela tem muita história”, disse. “Me senti muito feliz, pois foi por isso que resolvi montar o meu saloon aqui”, disse.

Oficial aposentado da marinha americana, Earl abriu há oito meses o Watkin’s American Saloon, no nº 708 da rua que corta o centro de Curitiba. No princípio, ele tentou batizar o bar com seu prenome, Earl, mas "as pessoas não conseguiam pronunciar".

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Todo de madeira rústica, com uma verdadeira porta de saloon, daquelas com duas folhas de madeira que abrem para dentro e para fora, objetos antigos na decoração e um invejável acervo de uísques, a proposta do bar é ser um pedaço do território americano no Brasil. “Quero que o cliente que entre aqui se sinta num autêntico estabelecimento americano”.

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A ambientação começa pela música. Rock, folk, jazz e blues tocam sem parar no saloon. Muitas vezes, ao vivo. Na próxima sexta, (28) o bar apresenta o show da dupla Antonio & Francisco, a partir das 21h, tocando rock clássico.

O saloon vende cervejas, vinhos e drinks variados, mas a grande atração são uísques – 32 tipos diferentes – que ficam em uma prateleira de cristal como se estivessem num altar. “Alguns destes rótulos você não consegue importar ou comprar no Paraguai. Precisa ir aos Estados Unidos pra conseguir”, disse. Como exemplo, o canadense Crown Royal ou o Blenders Prides Seagram's, cuja dose custa R$ 400. Há, porém, outros com preço mais acessível.

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Earl prepara pessoalmente as comidas. Além dos clássicos do bar brasileiro, ele se orgulha de fazer o melhor bolo de carne do mundo e também frango frito à maneira do sul americano. O carro-chefe da cozinha, porém é um molho cuja receita já tem mais de 150 anos na família Watkins. “Tem 27 ingredientes naturais e noves tipos diferentes de pimenta. É suave e picante, mas o calor vai embora ao primeiro gole de bebida”, garante.

Quem recebe os clientes é Gloria, uma labradora de 14 anos, nascida em Araraquara, interior de São Paulo. A cachorra está com catarata nos olhos e movimentos lentos, mas é um dos charmes do saloon que, claro, é um bar dog friendly.

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Veterano de duas guerras

Erl G. Watkins nasceu em Charleston, na Carolina do Sul, cidade famosa pelo grande número de igrejas históricas.

Prefere guardar para si os motivos que o trouxeram ao Brasil e a Curitiba. Fala abertamente, porém, de seu passado na marinha americana. Como piloto de helicópteros esteve em duas guerras: a da Bósnia (1992-1995) e a primeira campanha americana no Iraque, entre 1991 e 1992. Nesta última, um grave acidente do qual foi o único sobrevivente lhe deixaram um ano em um hospital e sequelas permanentes que encerraram sua carreira militar.

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Aposta no renascimento da Saldanha Marinho

Earl conta que às vezes seus amigos perguntam o porquê de ele resolver viver no Brasil. Ele devolve a pergunta: “E por que não? Tenho amigos e trabalho. Vivo bem e amo Curitiba, um lugar muito bom para mim. E acredito no Brasil”.

O estágio atual do bar, explica Earl, é o segundo das sete etapas que espera concluir. As outras envolvem colocar uma pianola e um candelabro de roda de carroça como nos saloons dos faroestes. Ele também quer transformar a laje em um rooftop para show e para instalar uma churrasqueira de estilo americano. A reforma na velha casa tem sido gradativa, na medida das possibilidades.

No momento, o Mr. Watkins American Saloon é um “estranho no ninho” numa rua tomando por bares populares e atividade, digamos, de má fama.

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Earl espera concluir seus planos aos poucos, enquanto a rua também passa por transformações e volta a ser o centro da boemia curitibana, como foi no passado. “Sei que tem um projeto de transformar esta rua em calçadão. Um dia vai acontecer e eu tenho certeza que este será o melhor ponto do centro da cidade”.

Ele diz que seus amigos lhe dizem para desistir do ponto e abrir o bar no Batel ou no Água Verde. Para se justificar, Earl faz uma parábola. “Uma pedra em cima da montanha é só uma pedra a mais. Mas se você tirá-la de lá e souber cortar e polir, ela vira uma um diamante. Isto é o que eu quero. Dizem que eu sou louco. Não sou. As coisas mudam e vão mudar. Vamos trazer esta rua de volta para as pessoas”.