Bares e Baladas

Nostalgia, house e eventos ao ar livre vão dominar as baladas e festas em 2019

Por: Flávia Schiochet
Nostalgia, house e eventos ao ar livre vão dominar as baladas e festas em 2019

Se à noite todos os gatos são pardos, o mesmo não pode ser dito da vida noturna. Shows, baladas e festas se transformam periodicamente, adaptando-se ao que o público pede, propondo novas dinâmicas, criando nichos e apresentando novidades musicais.

Curitiba viu nos últimos anos o crescimento e estabilização da cena sertaneja, bem como o crescimento do funk e hip hop como trilha de festas. O que vem em seguida? Segundo os produtores de festas e shows, ganha força o house, o reggae começa a despontar em algumas pistas, faixas remixadas de canções conhecidas serão mais exploradas e também mais eventos diurnos, como festivais, programação ao ar livre e a exploração de diferentes estilos musicais pela mesma casa.

Há também uma tendência a simplificar ambiente e instalações, uma vez que o momento econômico ainda é instável. “O país está em crise, mas o entretenimento sempre a permeia, seja quando sobra, seja quando falta dinheiro”, explica Patrik Cornelsen, produtor cultural e empresário do ramo do entretenimento. Cornelsen é um dos produtores e sócio do festival de música eletrônica Warung Day. “Há um ajuste no nosso meio: um tom mais simples que antes, um minimalismo. A tendência é a diminuição dos intermediários”, completa.

"O entretenimento sempre permeia a crise, seja quando sobra, seja quando falta dinheiro”, explica o produtor cultural Patrik Cornelsen. Foto: Reprodução/Facebook Warung Day

Para a coordenadora de marketing da Shed Curitiba, Patrícia Baggio, não se mexe em time que está ganhando e diante do cenário, a casa continua com as festas de sucesso e procurando atender às expectativas do público. “Olhamos muito para o Rio de Janeiro, que é para onde nosso público viaja com frequência”, comenta.

Famosa por ser o endereço de sertanejo e, mais recentemente, funk, em Curitiba, a Shed tem festas com nomes conhecidos, como a No Me Digas Que No, Quem Nunca, Cancela o Amor e Shed in Rio. “Festas com nomes fortes são tendência em São Paulo e Rio de Janeiro e dão público, independentemente da atração principal”, descreve Patrícia.

No circuito alternativo, o olhar vai um pouco mais ao norte: é de Nova York que vêm a maior parte das inspirações de Isa Todt, organizadora de festas e sócia da Paradis ao lado de Flávia Prieto e Tato Cappora. “A internet ajuda muito a vermos o que está sendo discutido e consumido no mundo. Não copiamos algo de fora: vemos o que há de sintonia com o que temos aqui. Quando sai o clipe novo, um álbum novo, um remix novo… conseguimos acompanhar pelo Spotify, Youtube, Soundcloud”, comenta Isa.

“Teremos muito conteúdo [para realizar festas]. A dúvida é se o público vai corresponder a tudo isso”, questiona Cornelsen.

>>> Oficina de Música de Curitiba tem data confirmada para 2019

Estilos musicais e nostalgia

O resgate da década de 1980 e 1990 também pinta em outros segmentos, como observa Cornelsen. “Em termos de comportamento, a nostalgia que vimos surgir em filmes e séries, como Stranger Things, também podem seguir em festas”. Vinil, fita cassete, referências às décadas e uma retomada da música eletrônica, especialmente o house.

A produtora e sócia da Paradis, Isa Todt, concorda. Ela aposta no house como o estilo eletrônico que ganhará as pistas em 2019. “Novos artistas do R&B e hip hop contemporâneo têm usado batidas eletrônicas, como Jorja Smith, The Internet, Anderson Paak”, relata. “E mesmo o Mark Ronson, que trabalha mais com remix. O remix possibilita você tocar rap ou reggae em outro ritmo. A cena musical está explorando muito isso de tocar outras versões de uma canção que todo mundo conhece”, exemplifica Isa.

Na Paradis, a festa mais recente chama-se My House, focada no estilo eletrônico que tem potencial de se fortalecer em 2019. Foto: Reprodução/Facebook Paradis Club

“O reggae apareceu em 2017 com uma força diferente da que tinha no início dos anos 1990, talvez porque na época não tinha tanta pista eletrônica bombando”, avalia Cornelsen, que acredita que o ritmo possa encontrar mais expressão em shows e como tema de festas.

Além da retomada do reggae, a nostalgia na pista também vem com ritmos brasileiros, como o axé e o pagode. Patrícia Baggio, coordenadora de marketing da Shed Curitiba, enxerga um crescimento recente do primeiro ritmo. “Não sei se chega ao nível que chegou o funk, mas micaretas, como o Folianópolis, têm tido um crescimento em interesse do público”, observa. O pagode, segundo Patrícia, tem lotado a casa. “Quando tem a Fica Comigo, que é uma festa com bandas que tocam pagode retrô, sempre dá certo tanto aqui quanto no Rio de Janeiro”, comenta.

>>> Seis lugares escondidos para conhecer no litoral do Paraná

Reflexos da contenção de gastos

Com o aperto financeiro, a tendência é simplificar, mas tentar manter a experiência. “Temos festas com decoração temática, com brindes, copos, bonés, pulseiras. Itens que trazem a mensagem da festa e fazem as pessoas se identificarem com o tema e aproximem o público da casa”, diz Patrícia Baggio. A estratégia para atrair o público também ajuda a fixar a marca e a fazê-la repercutir nas redes.

Produtores torcem para que eventos ao ar livre sejam mais frequentes em 2019. Foto: Divulgação

Outras saídas são festas com entrada gratuita ou festivais que agreguem diferentes públicos por sua proposta. O Festival de Jazz, realizado na Praça Afonso Botelho, e o Coverstock Festival, na Usina 5, foram apontados como modelos de sucesso. “Vemos que teremos cada vez mais shows de rock, eventos em espaços maiores, festivais diurnos e também a presença de famílias aproveitando a programação”, diz Cornelsen.

“Em São Paulo teve muita festa de rua em 2018, mas aqui em Curitiba a Prefeitura dificulta um pouco, mesmo os bloquinhos de carnaval não conseguem alvará para carro de som. O que tem rolado mais e pode voltar em janeiro e fevereiro são pool parties”, aposta Isa Todt. “Se Curitiba aproveitasse mais os parques e praças para fazer festa seria muito legal”, complementa Isa.

>>> 7 cafés com mais de 20 anos em Curitiba