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Como foi o show do New Order em Curitiba

Por: Sandro Moser
Como foi o show do New Order em Curitiba

Não poderia escrever sobre o show do New Order sem dizer que esta seja, talvez, a banda que eu mais ouvi. Em momentos bons mas, principalmente, nos ruins da minha vida.

Tive que morar quase um ano afastado da civilização, meio convalescente, e entre o pouco que eu tinha à mão havia uma coleção de discos de vinis (uns 20). Entre estes, três desta banda fatal que tocou ontem à noite na Live Curitiba lotada.

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Assim, a mistura estética do rock de guitarras e synth com bateria de música eletrônica soa para mim como a melancolia promissora. Da dor e do renascimento. Portanto, não esperem de mim parcialidade, isenção e crítica ferina. Não hoje.

Não vou dizer que o som estava mal resolvido, que a cerveja vendida era indigesta, que estes shows nostálgicos têm um pé meio atolado na cafonice. Que a banda quase não tem interação com a plateia. Não hoje.

Revolucionário é uma palavra gasta e com carga de sentido equivocada em nossos dias confusos. Mas, para o som que a banda de Barney Sumner e Stephen Morris faz, não há outra melhor. Numa entrevista que fiz com Tom Chapman, o baixista que substituiu Peter Hook em 2010, ele me revelou sua teoria de que talvez o New Order e seu predecessor, Joy Division, fossem as bandas mais influentes do pop e rock pós-Bowie. Eu concordo.

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A segunda guiou o rock depois da ressaca punk e o New Order era a banda certa no lugar certo, Manchester – 1980, para criar as bases pop da música eletrônica que desde então dominaria o mundo.

Tudo isso subiu ao palco da Live ontem, na medida do possível. Posso apostar que em Curitiba a banda encontrou o público mais receptivo a tudo que ela representa em sua turnê brasileira: Curitiba tem um público oitentista, nostálgico, como nos cansa saber. Mas cá também há uma cena verdadeira de música eletrônica e todo mundo que sabe quem é o New Order estava lá. Casa lotada. A banda, que aliás já foi dona do maior clube eletrônico do mundo, tem a manha de iluminar o público dede o palco, criando um clima de balada que esta moçada adora.

Havia também o povo do rock alternativo e velhos fãs do Joy Division. Estes não perderam por esperar. As três músicas do bis foram da banda que acabo quando a corda rompeu a medula espinhal de Ian Curtis em 1980. Disorder, Atmospheere e Love Wil Tear Us Apart (foto abaixo). No telão, os clipes originais do Joy Division.

Antes, porém, o quinteto formado por Barney, Morris, a grande Giliam Gilbert, Phil Cinnungham e Tom Chapman tinha passado em revista a carreira, desde o super hit Blue Monday até alguns temas de Music Complete, o material mais recente da banda, lançado em 2014.

New Order é o seguinte: levada de guitarra inconfundível sobre um som focado em baixo e bateira. Letras ambíguas e tristes sobre melodias dançantes e grudentas. Em Curitiba, esta grande banda fez um grande show.