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Roger Waters diz que ama que usem sua música para xingar políticos

Por: Sandro Moser, enviado especial a São Paulo
Roger Waters diz que ama que usem sua música para xingar políticos

"É verdade? Isso acontece mesmo?", perguntou Roger Waters, o ex-líder do Pink Floyd, durante uma entrevista coletiva em um hotel de luxo em São Paulo, nesta tarde de sexta (8). Ele se referia ao uso de uma versão de sua canção Another Brick in The Wall como a pior forma de xingamento no Brasil atual, seja nos estádios de futebol seja nas manifestações politicas.

Algo que começou em Curitiba, onde o músico se apresenta no dia 27 de outubro de 2018 com a turnê Us and Then. 

"Basta mudar uma palavra da letra original e colocar o nome do político que você odeia e manda-lo para aquele lugar", explicaram ao compositor. "Isto é maravilhoso. Eu não tinha ideia. Eu realmente gosto que isto aconteça", vibrou Waters. E ergueu as mãos para o céu: "Finalmente!", disse em português.  

Queimado do sol de Trancoso, na Bahia, onde tirou férias, o músico disse que foi repor as energias para a turnê Europeia que começa em breve. "Vou lutar batalhas pesadas lá. Os israelenses querem me matar, espero que não literalmente".

Waters se refere ao conteúdo político de suas posturas e do show a favor das liberdades individuais, contra os conflitos armados e os chefes de poder dos países desenvolvidos.

O show mistura canções de álbuns clássicos do Pink Floyd como Dark Side of The Moon, The Wall e Animal com músicas do novo álbum de Waters para passar uma mensagem de liberdade.  

Waters não economiza quando as críticas são contra o presidente americano Donald Trump, cuja a imagem na turnê está impressa no lombo do porco inflável que sobrevoa a plateia na música Pigs. "Ele está querendo acelerar a destruição seja por não aceitar os acordos de proteção ambiental, seja por tentar começar uma guerra. As pessoas aque o apoiam parecem que querem ver o apocalipse que eles leram na Bíblia. É nossa obrigação não aceitarmos o que estas pessoas nos impõem. Eles não estão nem aí para a vida humana". 

A turnê, explica Waters, é sobre a separação, o apartheid entre as pessoas, o tema central de sua obra há anos. "Us [nós, em inglês] é toda a humanidade. O Homo Sapiens é muito recente na históia do mundo. Todos nascemos na África e somos iguais, com algumas diferenças circunstanciais devido ao local onde vivemos", disse.

"Sei que nada muda de uma hora para outra, mas as coisas mudam no dia a dia. Por isso é importante não parar de tentar", disse. 

A turnê só chegará ao Brasil daqui a um ano, provavelmente durante o período de eleições presidenciais no Brasil. Waters diz que sabe que o mundo e o show serão muito diferentes em um ano.

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