Bares e Baladas

Entramos no Red Room, o bar mais secreto de Curitiba

Por: Sandro Moser
Entramos no Red Room, o bar mais secreto de Curitiba

Do corredor interno do imóvel onde fica o Ginger Bar e outras lojas e galerias de arte, no centro de Curitiba, vê-se uma misteriosa luz vermelha que escapa de uma porta lateral.

Não há nenhuma indicação do que se trate. A porta abre-se a uma escada de cerca de 40 lances, dividida ao meio por um estranho patamar, cujo fim é um espelho quebrado que reflete imagens estranhas.

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O caminho é quase surreal, mas não é o início de nenhum pesadelo como pode parecer. Na verdade, leva a um pequeno paraíso para quem ama a tríade balcão de bar, boa música e drinques de primeira.

Quem sobe até o final já está no Red Room, o bar que abriu sem avisar no último dia 20 de abril totalmente devotado à coquetelaria.

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No salão de 38 metros quadrados há um balcão em U com capacidade para 15 pessoas. Uma única mesa para três lugares completam os 18 lugares da lotação máxima do bar.

Na cavidade do balcão, o bartender comanda a noite e interage com os clientes enquanto a vitrola toca o melhor jazz do mundo inteiro.

O Red Room é o novo empreendimento dos empresários Milena Costa de Souza e Pedro Vieira, sócios do Ginger Bar.

Se o irmão mais velho [Ginger] já tem a vocação de speakeasy (bar secreto onde só se entra com senha), seu irmão mais novo eleva o conceito ao extremo.

Pedro explica que até agora, o novo bar era o mais bem guardado segredo da boemia curitibana. “Não anunciamos para ninguém, apenas convidamos alguns clientes do Ginger para uma experiência diferente”, disse.

A começar pelo espaço. O projeto criado pelo escritório de arquitetura NEU teve entre as referências principais a cenografia do filme e seriado Twin Peaks, de David Lynch.

Dentro da sala escura, sem janelas, cheia de espelhos é difícil dizer em que hora do dia, que década e que país se está. “É um bar com um giro mais lento dentro de um espaço em que você enxerga coisa que não eram para existir”, disse Pedro.

Assim que as 15 cadeiras estão tomadas, não entra mais ninguém. A exceção são as festas particulares em que o bar é fechado para grupos restritos. A partir desta sexta-feira (24), reservas podem ser feitas pelas redes sociais do Ginger Bar.

O Red Room abre de quinta a sábado, a partir das 20h. O last call depende da demanda e da avaliação do chefe do bar, o bartender Angelo Carpa.

Para Milena, o novo bar é uma celebração da história e da arte da coquetelaria e suas conexões com a arte e a literatura.  

 “Queremos oferecer uma experiência muito particular. Sabemos que nem todo mundo vai apreciar, mas pensamos neste local para os amantes de bares, aqueles que acreditam que em torno do balcão tudo se resolve”.

Cardápio com clássicos

O cardápio de drinques do Red Room tem 26 drinques que custam entre R$ 22 e R$ 28. Desenvolvido por Carpa, se divide entre um resgate de coquetéis clássicos marginalizados e um rol de drinques criados por ele e colaboradores nas Festas Mixology do Ginger Bar.

Nestas festas, a partir de um set list de um dj ou artista convidado, Carpa precisava criar uma mistura que fizesse sentido com a referencia musical.

Entre os vários, um dos destaques é o GIG JFK (R$ 26), nome que remete a sigla dos principais aeroportos do Rio de Janeiro e de Nova York. O drinque de aguardente tem os produtos de exportação célebres do país como café e banana e é servido com casca de limão cheia de pimentas rosas em chamas.

Entre os drinques redimidos estão o Rob Roy (“um manhattan à base de scotch”), o Mary Pickford e o Alexander. “Este drink ficou estigmatizado pelo leite condensado e misturas malucas. Aqui servimos a receita original”.