Cinema

Pokémon: Como a franquia de jogos atingiu o sucesso nos cinemas?

Por: Brayan Valêncio, especial para a Gazeta do Povo
Pokémon: Como a franquia de jogos atingiu o sucesso nos cinemas?

De 1996 até 2019 foram muitos produtos, como jogos, desenhos, filmes animados, brinquedos, mangás, roupas, acessórios, uma vasta gama de utensílios e, agora, o primeiro filme live-action da franquia que já faz parte da cultura pop mundial. Você pode não ter jogado os clássicos do Game Boy, nem ter assistido um único episódio das 7 gerações do anime que tem mais mil capítulos, mas é quase impossível que você não conheça o ratinho amarelo de bochecha avermelhadas, popularmente conhecido como Pikachu, o mascote da série e o mais querido entre os 809 pokémons listados na atual Nationaldex (a lista de pokémons de todas as gerações juntas).

Não dá para saber se as ambições de Satoshi Tajiri, o criador da franquia, eram tão grandes, mas a primeira dupla de jogos chegou ao console portátil da Nintendo em 1996 com a promessa de um jogo, à época, diverso e complexo. Eram 150 monstrinhos de bolso (com 1 secreto) em gráficos e jogabilidades que fazem os mais novos ranger os dentes e que cria nos mais velhos o saudosismo da revolução que aquele jogo em P&B causou. O game não era bem uma unanimidade, havia erros grosseiros no desenvolvimento, como a troca da sprite (a aparência) da butterfree e do Venomoth, a dúvida se Gengar era a versão sombria da Clefable, se o Gastly deveria ser a evolução do Cloyster e se o Kangaskhan era a última evolução do Cubone (ou ao contrário).


O grande diferencial do lançamento, e que superava qualquer falha de produção, estava no quesito inovação. Milhares de pessoas competiam para ver quem tinha mais Pokémons, quem capturava os mais raros e quem tinha os mais fortes. O sucesso foi estrondoso e a franquia ganhou corpo. Do lançamento do primeiro jogo para a produção do desenho durou pouco mais de 1 ano.

Em 1997, o continente de Kanto começou a ser explorado por Ash, Misty e Brook, na companhia de um pokémon que se recusava a entrar na pokébola, o Pikachu. O sucesso do amiguinho de Ash foi tão grande que fez o lançamento seguinte nos jogos ter o pokémon de choque como inicial, surgia Pokémon Yellow, a primeira sequência dos jogos originais e que se inspirava principalmente no anime.  

Depois disso, novos conceitos foram inseridos, novos continentes foram explorados, novas evoluções (e pré-evoluções) foram descobertas, Muita coisa mudou, mas a essencial seguiu a mesma, no desenho e nos jogos.

O sucesso na segunda parte da década de 90 alavancou a franquia ao cinema. As versões animadas consagravam a história apresentada no desenho, mas sempre focando nos pokémons lendários, aqueles que nos jogos eram quase impossíveis de conseguir e no desenho eram considerados “deuses” ou “guardiões”. A dobradinha, de três, começou o novo século garantindo fãs e mais fãs, foram muitos lançamentos nos cinemas, dezenas de jogo e sequência de episódios intermináveis.

Nesse meio tempo, muitas outras franquias iniciadas nos consoles buscavam o sucesso na sétima arte: Resident Evil, Super Mário, Street Fighter, Tekken, Tomb Raider, Mortal Kombat e mais recentemente Assassin’s Creed. Alguns atingiram sucesso considerável, mas nada que arranhe a borda do sucesso que fizeram (e ainda fazem) nos videogames.

Pokémon é um caso à parte, bebendo da sacada inteligente das irmãs Wachowski, criadoras do gigantesco sucesso e oscarizada franquia Matrix, as cabeças pensantes da Nintendo perceberam que o segredo para fidelizar os fãs era distribuir um conteúdo específico em cada plataforma. Diferente, mas que se completa. O cinema complementava a história do desenho, que entregava para um outro público o que era apresentado nos jogos em formato diferente de narrativa. A formula do sucesso foi criada e deu no que deu.

Hoje ouve-se muito em Universo Compartilhado, do terror de James Wan aos fantasiosos Universos da Marvel e Star Wars. Essas franquias criam uma linha narrativa através de suas histórias, mas ainda estão presas a um modelo de produção, o cinema. Enquanto Pokémon quebrou essa barreira há muito tempo.

Um bom exemplo de como Pokémon é para todas as idades, ambientes e canais é o sucesso de Pokémon Go, o jogo de realidade aumentada foi uma febre em 2016. As pessoas saiam às ruas para testar a novidade, não se falava em outra coisa nas rodas de conversa. Foram meses até que o a poeira abaixasse, mas ainda é comum ver pessoas andando nas ruas de forma desatenta procurando um monstrinho escondido nesse ponto turístico ou naquela parede grafitada. O jogo simples, mas inovador, misturou as características dos games anteriores, os sucessos dos cinemas e, as ações do desenho e trouxe tudo isso para o ambiente mobile, causando a junção de tudo aquilo que os fãs sempre precisaram, mas que não tinham a ideia de que queriam.

Detetive Pikachu acabou de chegar aos cinemas e é a nova demonstração dessa mistura de conteúdo em um mesmo Universo. O Pikachu tá lá, pela primeira vez em um filme real, com gráficos e características nunca antes vista no cinema (e com a dublagem de Ryan Reynolds, popular por viver o mercenário Deadpool nos longas da Fox). O local que o filme acontece não é um ambiente tradicional na franquia, o protagonista vivido por Justice Smith também não é o Ash. Mas isso quer dizer que o Ash não está lá? Ao contrário, na última semana os roteiristas de Detetive Pikachu, Banji Sammit e Dan Hernandez, deram uma entrevista esclarecendo que, como tudo está conectado, o Ash e o Pikachu do desenho podem sim aparecer em uma sequência.

A fala dos roteiristas não é por um acaso, ela demonstra o cuidado que a Franquia tem em não “reebotar” ou ignorar acontecimentos em nenhuma plataforma. Tudo é aprendizado, tudo é, de fato, parte do Universo. O não cansaço da franquia e também a não queda no ostracismo demonstram que Pokémon ousou ao intercalar seu desenvolvimento. As novidades são importantes, a coragem para apresentar conceitos novos também é, mas a fidelidade no tratamento de um produto tão bem avaliado pelo público faz com que um jogo, planejado apenas para atingir o mercado japonês, conquistasse o coração de milhões mundo a fora. A franquia Pokémon demonstra que entre erros e acertos, o importante é aprender com o passado e não ter medo de arriscar no futuro.

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