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Rodrigo Lombardi estrela peça que fala de tensão sexual, violência e xenofobia

Por: Sandro Moser
Rodrigo Lombardi estrela peça que fala de tensão sexual, violência e xenofobia

Um dos textos mais importantes do teatro contemporâneo, "Um Panorama Visto da Ponte", será apresentado em Curitiba, neste sábado (16) no Teatro Guaíra, às 21h. Dirigida por José Henrique de Paula, a montagem tem os atores Rodrigo Lombardi e Sérgio Mamberti como protagonistas do drama escrito por Arthur Miller em 1955.

Os ingressos, à venda pela internet e em bilheterias físicas, custam entre R$ 35 e R$ 120. Assinates do Clube Gazeta do Povo têm 50% de desconto na compra de dois ingressos.

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Para Lombardi que vive o papel do estivador Eddie Carbone, o texto da peça continua atual e assim permanecerá. “Assim como Shakespeare e as tragédias gregas, peça fala do humano e isto a fez se tornar um clássico. Esta história podia acontecer na minha casa ou na de qualquer espectador”, disse.  

A trama narra o drama de Eddie e sua mulher Beatrice (Patricia Pichamone), que vivem em Nova York com uma sobrinha órfã (Gabrille Potye). O idílio operário da família é quebrado pela chegada de dois primos italianos de Eddie que imigram ilegalmente para os Estados Unidos.

A partir deste ponto, a trama explode em tensão sexual e violência em temas como imigração, xenofobia, tolerância solidariedade e honra que se encaminham para um desfecho trágico. Como em outras peças do autor – como A Morte do Caixeiro Viajante e as Bruxas de Salem – há um olhar critico sobre o modo de vida da sociedade moderna.

Para o ator, o maior mérito da peça é trazer luz e perguntas sobre este modo de viver. “A peça não traz respostas. Não temos a melhor resposta, mas sabemos que a melhor resposta só vem depois da melhor pergunta e a melhor pergunta só se forma através da divergência onde se cria a imagem que não tinha sido prevista e só surge do conflito de opiniões”, disse.  

O ator observa que característica principal de sua profissão é “tentar entender a alma humana e os movimentos do mundo”. “Este foi o motivo pelo qual escolhemos o texto para que a gente pudesse levar este questionamento e esta reflexão para as pessoas. Para que a gente pudesse perceber ou entender se as pessoas se identificam com isso”, disse.

Após ter sido revisado por Miller em 1956, o texto foi saudado como obra-prima e apresentado em Londres, Paris e São Paulo, numa montagem histórica no Teatro Brasileiro de Comédia, em 1958, que trazia Leonardo Villar e Nathália Timberg no elenco. Desde então nunca foi remontado no Brasil.

Lombardi disse que o seu personagem só foi montado depois de muitas leituras e pesquisa do real sentido da peça e seu maior cuidado foi “não atrapalhar” a narrativa. “Costumo dizer que quando o texto é ruim, o ator precisa ser muito para torná-lo convincente. Quando o texto é bom, ele precisa ser ainda melhor para não atrapalhar”.  

A peça é toda narrada por um advogado chamado Alfieri, vivido pelo ator Sérgio Mamberti. Lombardi destaca atuação do colega como o ponto alto da peça. “Todo dia é uma aula. Queria deixar claro meu agradecimento a ele por dividir a cena com a gente, pela generosidade e disposição em cena aos 80 anos de idade”.