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Ópera de Arame se consolida como grande espaço de shows em 2019

Por: Anderson Gonçalves
Ópera de Arame se consolida como grande espaço de shows em 2019

Assistir a um grande show no cenário natural da Pedreira Paulo Leminski é uma experiência e tanto. Para apresentações mais intimistas, o tradicionalíssimo palco do Guairão ou a modernidade do Teatro Positivo são perfeitos. Mas, convenhamos, ver um espetáculo na Ópera de Arame é algo diferenciado. Já começa na chegada, quando se atravessa a passarela metálica sobre o lago, e passa pela descoberta da arquitetura peculiar do espaço, circular, sustentado por estruturas de metal e vidro. Independente do estilo musical, uma apresentação ali pode ser tão aconchegante quanto imponente.

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Com essas características, nada mais natural que um dos cartões postais de Curitiba passasse a receber atrações musicais com mais frequência. Nos últimos anos, artistas nacionais e internacionais pisaram no palco da Ópera: ícones da MPB como Gilberto Gil e Caetano Veloso, o sertanejo pop Michel Teló, o veterano roqueiro Lobão e os indies escoceses do Franz Ferdinand são exemplos da diversidade que passou por ali. O primeiro semestre de 2019 parece marcar uma nova fase, destinada a abrigar shows internacionais mais alternativos: artistas de diferentes gêneros que não são grandes estrelas, mas têm seu público cativo.

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Estão nessa lista o rapper americano Blackbear, o veterano roqueiro Dee Snider, o músico de jazz Kamasi Washington, o metal do Black Label Society, o rythm and blues do The Internet, o country rock do Blackberry Smoke e a cantora pop norueguesa Aurora. Nomes que parecem vir preencher uma lacuna no mercado curitibano de shows internacionais, até então dividido entre os astros capazes de encher a pedreira ou um estádio, e aqueles que se apresentam a pequenos públicos em espaços menores.

Hélio Pimentel Filho, diretor de operações da DC Set Eventos – empresa responsável pela administração da Ópera de Arame e da Pedreira –,  confirma que a intenção é, realmente, explorar um novo segmento de shows na cidade. “Além de trabalhar com nomes mais conhecidos, como temos feito, é preciso abrir o leque. Não podemos ficar nos limitando aos mesmos artistas que são disputados por outros espaços. Existe um déficit no mercado local, muitas bandas que vão para São Paulo ou Rio e não vêm pra cá. A partir do momento que passamos a trazer atrações diferentes, isso enriquece a cultura local e revigora a nossa programação”, destaca.

Além de diversificar a programação, a empresa também aposta em uma nova modalidade de shows. A ideia, segundo Pimentel, é agregar outras atividades ao evento, como happy hour antes das apresentações ou DJs e bandas locais após o término do show. “Nossa ideia é estender a experiência do público. Ao invés de ele ver o show e ir embora, por que não aproveitar o espaço da Ópera para proporcionar algumas horas a mais de entretenimento?”, ressalta.

Se você ainda não conhece os artistas que vão movimentar a Ópera de Arame nos próximos meses, veja a seguir quem são eles.

Blackbear

Durante muito tempo, Matthew Tyler Musto trabalhou longe dos holofotes, colaborando com artistas como Nick Jonas, Linkin Park e Justin Bieber, com quem escreveu a música “Boyfriend”. Em 2015 decidiu trilhar seu próprio caminho e, com o nome Blackbear, lançou-se na carreira de rapper. Seu primeiro sucesso, “IFDC”, esteve na disputada parada da Billboard. Outro hit, “Do Re Mi”, foi feito em parceria com o rapper Gucci Mane. Em Curitiba, no dia 14 de março, ele apresenta a turnê do último álbum, Anonymous, lançado no ano passado.

Dee Snider

“Oh we’re not gonna take it; no, we ain’t gonna take it; oh we’re not gonna take it; anymooooore”. Quem ouviu rock nos anos 80 sabe de cor esses versos da banda Twisted Sister, tão famosa por esse hit quanto pelo visual glam, com roupas extravagantes e maquiagem pesada. A banda chegou ao fim em 1987, mas o vocalista Dee Snider seguiu com a carreira solo, na mesma pegada hard rock. Em 21 de março ele canta os clássicos da banda, músicas da carreira solo e do último trabalho, For the Love of Metal, de 2018.

Kamasi Washington

Não faz nem quatro anos que o americano Kamasi Washington lançou seu primeiro disco, The Epic, um álbum triplo com quase três horas de duração. Mas foi o suficiente para, em pouco tempo, ganhar da imprensa títulos como “revolucionário do jazz moderno” e “embaixador do jazz no século 21”. Em 24 de março os curitibanos terão a oportunidade de ver a apresentação enérgica do saxofonista, que antes da carreira solo tocou com Herbie Hancock, Lauryn Hill e Kendrick Lamar, entre outros. Por aqui, apresenta seu segundo álbum, Heaven and Earth.

Black Label Society

Tudo começou em 1998, quando Zakk Wylde, guitarrista de Ozzy Osbourne, resolveu juntar outros músicos e formar a própria banda de heavy metal. A partir daí foram nada menos que 11 discos de estúdio, o último lançado no ano passado, Grimmest Hits, que será executado ao vivo pela primeira vez em solo brasileiro. A banda é uma frequentadora assídua do Brasil e conta com um público fiel, que costuma lotar as apresentações e sacudir a cabeleira. O show do dia 31 de março será o terceiro na capital paranaense.

The Internet

Formado em 2011 pelo produtor Matt Martians e a DJ, cantora e produtora Syd tha Kid, o grupo americano se apresenta pela primeira vez no Brasil. Em suas músicas, a banda mescla diferentes estilos, como rythm and blues, trip hop, soul, hip hop e eletrônica. Em 2015, seu terceiro disco, Ego Death, foi indicado ao Grammy na categoria álbum contemporâneo. O trabalho mais recente é Hive Mind, lançado no ano passado, que o público curitibano terá a oportunidade de ouvir (e ver) ao vivo no dia 28 de abril.

Blackberry Smoke

A mistura de rock, blues e country já rendeu grandes nomes à música, como The Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd e ZZ Top, que popularizaram mundo afora o chamado southern rock. Diretamente de Atlanta, o Blackberry Smoke bebe dessa fonte e incorpora uma sonoridade moderna para manter o gênero vivo e forte. A prova disso pode ser conferida no dia 9 de maio, no show que tem como carro chefe o sexto álbum da banda, Find a Light, que ganhou lugar entre os 50 melhores de 2018 na lista da Classic Rock Magazine.

Aurora

Talvez o nome não soe familiar, mas uma das músicas dessa cantora norueguesa de apenas 22 anos é conhecida de muita gente. “Scarborough Fair”, canção da dupla Simon e Garfunkel, foi regravada por ela sob encomenda da Rede Globo e virou tema de abertura da novela Deus Salve o Rei. Sem os ares medievais, o trabalho da cantora tem uma pegada pop flertando com a eletrônica, como no hit “Runaway”. Adolescentes devem ser maioria no show em Curitiba no dia 22 de maio, que divulga o álbum Infections of a Different Kind.