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Mestre do Samba, Nelson Rufino canta seus sucessos pela primeira vez em Curitiba

Por: Sandro Moser
Mestre do Samba, Nelson Rufino canta seus sucessos pela primeira vez em Curitiba

Para quem é ligado ao samba e sua história, o nome do sambista baiano Nélson Rufino desperta, como o de poucos, respeito e admiração. Quem não é tão íntimo do samba talvez não ligue seu nome às suas canções, mas certamente as conhece: Rufino é autor de sucessos estrondosos como Verdade, mais famoso na versão de Zeca Pagodinho e Todo Menino é Um Rei, clássico na voz de Roberto Ribeiro.

Estes dois públicos – misturados e felizes – é o que o mestre sambista de 72 anos espera encontrar neste sábado (16), no Quintal da Maria, em seu primeiro show em Curitiba em toda a sua longa carreira.

“Nunca botei meu pé direito aí. Será a primeira vez. Mas, sei que tem uma turma boa de samba. Vai ser o nosso grande e primeiro encontro e vamos unir a fome com a sede. Que Deus nos ilumine a todos e eu consiga retribuir o que está no meu pensamento e no de vocês e mostrar minhas canções”, disse ele em entrevista ao Guia Gazeta do Povo + Clube.

Além de Zeca e Roberto Ribeiro, a lista de parceiros e intérpretes dos sambas de Rufino é interminável. Tem Alcione, Caetano, Jorge Aragão, Martinho da Vila, Elza Soares, Ivete Sangalo, Daneila Mercury, Paul Mauriat… “Tem samba meu gravado até em hebraico”. Ele porém, nunca se ocupou em listá-los.

Aprendi uma coisa com Dorival Caymmi: não tenho ímpeto de contar minhas músicas nunca. O bom é chegar numa roda de samba e ver que o povo sabe tuas músicas e gosta da tua cantoria.  A satisfação é ver o povo lembrar que você fez como algo importante e aí eles te pedem pra cantar até a garganta estourar. É isso que me satisfaz”

A história de Rufino no samba começou nos anos 1960, quando deixou Salvador pela primeira vez rumo ao Rio de Janeiro para tentar a carreira de jogador de futebol, após se destacar em um campeonato do exército.

“Batia uma bolinha direitinho e fui treinar no juvenil do Fluminense. O craque na época era o capita [o ex-jogador Carlos Alberto Torres, falecido em 2017]”. Mas a saudade da mãe, D. Chiquinha (sua mãe) bateu mais forte, quando uma irmã escreveu uma carta dizendo “ou você volta ou mamãe morre”. Mas já voltou com sua primeira composição na mala “Bahia, meu primeiro travesseiro”.

"Sou sambista e acabou"

Na Bahia, se tornou operário da metalurgia e uma liderança das escolas de samba locais. Nunca mais parou de compor.

Rufino hoje representa um ponto de união entre o samba do Rio e da Bahia, para ele quase o mesmo povo disposto em dois territórios.“Cronologicamente o samba nasceu na Bahia – na verdade nasceu no porão do navio negreiro. O Rio de Janeiro aculturou o samba”.

Porém, se no Rio o menino samba ainda é rei, na Bahia ele precisa disputar espaço com as muitas influências latinas e derivações criadas ao longo de um século. Algo que Rufino aprecia, mas a distância,

“Em Salvador, como imagino acontecer em Curitiba, o samba resiste na mão de uma minoria bem apaixonada. Aquela coisa: quem é sambista. Faço questão de dizer: sou sambista e acabou. Quem é sambista é sambista. E eu faço questão de dizer é eu sou sambista e acabou”.  

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