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O melhor de Nelson Motta, Guilherme Kastrup e Gringo Cardia no Conversarte

Por: Bruna Covacci
O melhor de Nelson Motta, Guilherme Kastrup e Gringo Cardia no Conversarte

A terceira edição do “Conversarte” deste ano, projeto que reúne artistas das mais variadas vertentes da arte, trouxe como tema principal do debate a música e suas conexões, na terça-feira (06), no Pátio Batel.

Na noite, Nelson Motta, Gringo Cardia e Guilherme Kastrupp, três craques de gerações e campos diferentes de atuação de MPB falaram sobre inspirações, produções culturais e até o momento da música atual. Confira os melhores momentos do Conversarte.

Desing

Motta, Kastrupp e Cardia tem uma origem comum: o design. Os três estudaram design. Segundo eles, no sentido de projeto, o design ensinou a “pensar o mundo”. Assim como para produzir músicas, fazer shows e criar casas noturnas. É ele também quem mostra que a música precisa ser vista, porque ela precisa de uma imagem.

Não é só música

 “As pessoas não tem mais tempo para contemplar. A imagem é muito instantânea, rápida e esquecida muito rápido também”, disse Gringo. Para eles, é preciso viver com a linguagem da nova geração. Entender que é perecível e que as artes estão mais conectadas do que nunca. “Música é apenas uma parte da música. A outra é a imagem, que começou a ganhar espaço da música dentro do produto audiovisual: a Madonna não faz um CD de 10 músicas, mas sim um álbum visual de 10 clipes”, diz Motta. A música não está mais sozinha. Ela está acompanhada do design, do teatro, do cinema e da fotografia.

Repressão e arte

Os momentos de repressão também são grandes momentos para o fazer artístico. A arte funciona como esperança. “O Dancin’ Days, por exemplo, era uma ilha de liberdade e alegria no meio de um clima horroroso porque a rua era perigosa. Polícia disfarçada em todo lugar, seu amigo podia te entregar, gente sumindo… Então o Dancin’ Days parecia outro mundo antes de ir à rua”, disse Nelson.

“As duas épocas que estamos vivendo são parecidas (Dancin’ Days e atualidade). E em contrapartida temos uma grande produção. A gente tem muito ataque a cultura institucionalizada, estatal e ao mesmo tempo tem muita produção efetiva que reage a isso. Então a arte é mesmo uma válvula de escape para os artistas e a população”, completou Kastrupp.

Cuidado com streaming

“Quem está buscando o novo precisa cavocar mais. Os algorítimos de programas como Spotify e Deezer acabam sugerindo ‘as mesmas coisas’”, disse Kastrupp enquanto Motta brinca que existe tanto artista hoje em dia que, daqui a pouco, vai ser preciso pagar para ser artista.

 “É muito difícil você fazer diferente. Fazer algo novo. Ainda mais hoje que tudo está disponível. A música dos anos 1960, 1970, 1990: como fazer um bom rock’n’roll depois de tudo que já foi feito?”, brincou Nelson. Para ele, quem está começando, tem que estar disposto a fazer melhor que Caetano, Chico Buarque e João Bosco. “Se for para fazer pior, procure outra coisa”.

Programe-se!

O próximo Conversarte acontece no dia 02 de setembro, às 20h, e traz como convidados Miguel Falabella e Eduardo Moreira, falando sobre o teatro. Os ingressos já estão à venda e quem é do Clube tem 50% de desconto na compra de até dois ingressos.