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Museu Casa Alfredo Andersen reabre com peças inéditas do pintor

Por: Laura Beal Bordin
Museu Casa Alfredo Andersen reabre com peças inéditas do pintor

Depois de passar meses fechado, o Museu Casa Alfredo Andersen, que fica no bairro São Francisco, em Curitiba, ganhou novas peças e uma nova perspectiva sobre o acervo do pintor norueguês que se firmou no Paraná.

O museu, que foi a casa e o ateliê do artista plástico a partir de 1915, ganhou novos trabalhos do autor, que passam a ficar expostos para os visitantes. No primeiro andar, a sala chamada de In Situ mostra um lado mais pessoal do autor, com obras que remetem à sua essência e à sua relação com a casa em si.

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Ainda no primeiro andar, uma cúpula de vidro foi instalada para expor peças de trabalho do pintor, como suas maletas, pincéis e tintas. “Esse tipo de objeto normalmente não é exposto, mas é uma curiosidade de quem vê as obras. Traz a essência do que ele sentia”, explica Gabriela Bettega, que executou o projeto de revitalização do museu.

O acervo também ganha com sete obras – três emprestadas dos museus MUSA e MON e quatro que vieram de coleções particulares para fazer parte da exposição.

Com a revitalização, o espaço também passa a ser acessível, dispondo de audiodescrição e três obras táteis esculpidas em madeira. Um espaço com giz de cera, lápis e outros materiais estão disponíveis para quem quiser expressar a sua criatividade.

Além dos materiais de trabalho, outras peças do autor também passaram a ser expostas no local, como gravuras, fotografias e outros documentos. Esta parte da exposição é chamada de Em Trânsito. Entre os destaques estão os desenhos de Andersen em uma viagem que fez de Paranaguá ao Rio de Janeiro, que estão expostas em um suporte que permite ver a frente e o verso da folha, conforme explica o bisneto do pintor, Wilson José Andersen Ballão, que também preside a Sociedade de Amigos Alfredo Andersen. “Estes desenhos estavam comigo e mostram muito do trabalho da época. O papel era muito caro, então ele utilizava a frente e o verso para aproveitar bem. A instalação é uma forma de mostrar os dois lados”, explica.

Também está em exposição um estudo do brasão do estado do Paraná, que foi pensado por Andersen. Nele é possível ver a ideia do lavrador que faz parte do símbolo do estado. Livros com escritos do pintor e seus estudos também estão expostos. Todos foram restaurados para fazer parte do acervo.

Sala rotativa

Uma sala rotativa — ou seja, um espaço onde mais de um artista contemporâneo poderá expor suas obras ao longo do ano — também foi montada no segundo andar da casa. Os artistas que passarão por lá devem, de alguma forma, estar ligados com a obra de Andersen. Na exposição do momento, de Geórgia Kyriakakis, a linha do horizonte é a inspiração principal da artista — o que liga a obra ao do pintor que dá nome à casa.

De acordo com a diretora do museu, Débora Russo, a nova roupagem da casa permitiu dar um novo olhar para a obra de Andersen, além de permitir que artistas contemporâneos possam expor seus trabalhos de uma forma diferente. “O Andersen, com a sua história, merecia um espaço à altura. E, com a revitalização, o espaço pode agora receber diferentes exposições, já que tem um espaço mais adequado para fazer instalações”, diz.