Restaurantes

Conheça a família Dea, há 30 anos cozinhando no Mercado Municipal de Curitiba

Por: Flávia Schiochet
Conheça a família Dea, há 30 anos cozinhando no Mercado Municipal de Curitiba

Antes de ocupar quatro boxes do Mercado Municipal com seu “império”, a família Dea era proprietária de uma pequena pastelaria no primeiro andar. Daquela época, Marly Dea guarda lembranças que a fazem sorrir: “O Betinho, com seis anos, queria levar as garrafas de refrigerante nas mesas”. Betinho é seu caçula: Gilberto de Jesus Dea Filho, 27 anos, três anos a menos que a presença do restaurante no Mercado Municipal.

Quando tinha 11 anos, Betinho imaginava que seu futuro seria atrás do balcão. Em entrevista para a Gazetinha, enquanto preparava um pastel, ele previa: “Acho que no futuro eu vou cuidar da lanchonete”. Dito e feito: no início de 2019, formado em Gastronomia, ele ampliou o serviço do Mister Dea incluindo hambúrgueres no cardápio da lanchonete, que funciona nas lojas da lateral do “complexo” Dea. 

Betinho em 2002. Imagem: Arquivo pessoal

A pastelaria cresceu em 2001, com a reforma ampla do Municipal, quando subiu para o segundo andar e mudou o nome para Mister Dea. O estabelecimento tem duas operações: o almoço até as 14h e um cardápio de lanchonete durante todo o dia. O buffet de almoço serve 15 opções de salada, 13 opções de pratos quentes e cinco tipos de sobremesas (R$ 26 por pessoa; R$ 30 no sábado). Só de carnes, o restaurante prepara diariamente 15 pratos – a cozinha ocupa um andar inteiro acima do buffet e da cozinha da lanchonete. 

Durante todo o dia, o Mister Dea serve pasteis, porções e bolinhos, como o de bacalhau. A receita é a mesma desde o início, com batata e o peixe dessalgado (R$ 12). A piada corriqueira é a de que o cliente não paga se não gostar. “Nunca deixamos de receber”, ri Betinho. Para comemorar os 30 anos dos Dea no Mercado Municipal, Marly incluiu um novo bolinho: de aipim recheado com bacon em cubos e pinhão (R$ 12). A novidade fica no cardápio até durar o estoque de pinhão congelado.

Ouriço de pinhão, bolinho comemorativo aos 30 anos do Mister Dea no Mercado Municipal. É feito com massa de aipim e recheado de bacon e pinhão. Foto: Divulgação

30 anos depois… uma hamburgueria
O cardápio da hamburgueria tem três opções, todas acompanhadas de batata frita: o Big Burger leva dois hambúrgueres de fraldinha (180 g cada), cheddar, tomate e alface americana no pão brioche (R$ 25); hambúrguer com uma fatia de bacon de pernil (R$ 22) e o vegetariano, montado com hambúrguer de grão-de-bico, queijo tofu defumado orgânico, tomate cereja marinado no azeite de oliva, rúcula e pão com um toque de mel (R$ 20).

Hambúrguer com bacon de pernil, novidade no Mister Dea. Foto: Divulgação

Da pastelaria ao buffet: criatividade de sobra
Gilberto, Marly completam 30 anos de trabalho no Mercado Municipal, mas a vida na cozinha começou antes, na Bahia. O casal, na casa dos 20 anos, tinha uma bebê de cinco meses, Michelle, e assumiram uma churrascaria e lanchonete da família em uma BR. “A gente poderia atender 24 horas, mas meu marido sempre disse que precisamos ter tempo para a família, descansar”. O salão da churrascaria fervia noite e dia, mas fechava da meia-noite às 6h. 

A filosofia segue a mesma para os Dea de volta ao Paraná: desde 1989, domingo não é dia de trabalhar. “Dia de nos reunirmos em família e aproveitar a companhia um do outro. Nada de trabalho”, afirma Marly, mesmo sabendo que aos domingos o Mercado Municipal lota. 

Se hoje o restaurante serve cerca de 400 refeições por almoço no sistema buffet, foi porque desde o início Marly Dea, munida de sua criatividade e apoio do marido Gilberto Dea, acreditou numa “ideia meio louca” ainda nos anos 1990. 

“Meu grande sonho sempre foi ter um restaurante no centro da cidade”, diz Marly. Em 1989, depois de quase seis anos na Bahia, o casal Dea voltou a capital paranaense e abriu uma pequena pastelaria no Mercado Municipal. Um dos “vizinhos” era um box de comida portuguesa, a Mercearia Lisboa. “Foi ele quem me falou que nos Estados Unidos tinha um sistema em que a pessoa se servia de um buffet. E fiquei com aquilo na cabeça, era um self service que eu queria fazer”, relembra Marly. 

À época, o sistema era desconhecido no Brasil. Ela enfileirou cinco banquetas da pastelaria e as cobriu com uma toalha emborrachada. Preparou salada de cenoura, vagem, alface, tomate e maionese de batatas. Na falta de móveis para buffet quente no Brasil, encomendou de um amigo metalúrgico um “caixote de metal” que contivesse água para que as travessas se mantivessem aquecidas. “E um espelho grande na frente, para esconder os fios e as pernas das banquetas”, ri. A fila ia longe, mais ou menos como hoje.

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