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Francês Marc Mauillon mistura canções clássicas a elementos cênicos contemporâneos

Por: Da Redação
Francês Marc Mauillon mistura canções clássicas a elementos cênicos contemporâneos

Clássico, porém, longe de ser conservador. Assim pode ser definido o trabalho do cantor lírico francês Marc Mauillon, tido como uma das mais importantes vozes da música clássica da França atualmente. Apesar de se manter fiel tradição musical, o barítono é conhecido por inserir elementos cênicos contemporâneos em suas apresentações. O público curitibano terá a oportunidade de conhecer e conferir essa combinação na próxima terça-feira (11), quando o cantor fará uma apresentação única, às 20 horas, na Caixa Cultural.

Mauillon traz a Curitiba seu projeto autoral Songline, que vem sendo apresentado em recitais na Europa. A proposta consiste em interpretar canções da música medieval, acompanhadas de elementos contemporâneos como movimentos corporais e o uso diferenciado da iluminação. A ousadia é uma marca na carreira do cantor de 38 anos, que já interpretou, por exemplo, um travesti na ópera Cachafaz, do argentino Oscar Strasnoy.

No caso de Songline, a ousadia se completa com a opção do artista de cantar, o tempo todo, à capela, sem instrumento algum a acompanhá-lo. “Este é um recital que aponta para o futuro, não traz a música como um registro congelado no passado e, sim, de um modo vivo, pulsante, atual. Mauillon canta como se as músicas tivessem sido compostas especialmente para seu espetáculo, quando, na verdade, algumas delas estão separadas no tempo por cerca de 800 anos”, destaca o produtor Álvaro Collaço.

No ResMusica, site francês especializado em música clássica, a especialista em ópera Charlotte Saulneron classifica Songline como um trabalho “essencial”. “Entre o sagrado e o profano, entre o latim e o francês antigo, entre o italiano e o grego, cada palavra carrega significado, cada sonoridade transmite uma intenção, cada momento melódico uma atmosfera única. Longe de ser confusa, essa programação é rica, variada e singular”, diz.

Em entrevista ao site ConcertClassic, Mauillon falou sobre o gosto por experimentações. “Gosto de ser surpreendido, de descobrir coisas. No conservatório, muitas vezes me recrutaram como ‘cobaia’ para interpretar as peças dos compositores e eu adorava essa parceria. Eu gosto de descobrir novas linguagens, de me dedicar a novas gramáticas, de fazer da minha uma nova sintaxe”, afirmou.

A apresentação faz parte da série Solo Música, da Caixa Cultural. Segundo Álvaro Collaço, será a terceira vez que o projeto abre espaço para um recital de voz solo. As duas outras vezes foram com grandes cantoras: Maria Cristina Kiehr e Kismara Pessatti. “A diferença com Mauillon é que se trata de um recital já consolidado e com o repertório gravado em CD”, observa. 

Do período medieval, Mauillon canta Guillaume de Machaut (1300-1377), Jehannot de Le Escurel (século XIII), Bernard de Ventadorn (1130-1200), Branca de Castela (1188-1252) e Grazioso de Pádua (1391-1407). Já os compositores contemporâneos são Giacinto Scielsi (1905-1988), Georges Aperghis (1945), Meredith Monk (1942) e Phillipe Leroux (1971).

Entre óperas e concertos

Natural de Montbéliard, França, o barítono Marc Mauillon integrou, em 2002, a primeira edição do “Le Jardin des Voix”, de Wiliam Christie, projeto para cantores da Academia Les Arts Florissants. Desde então, tornou-se colaborador constante do Les Arts Florissants em algumas de suas principais produções e na gravação de três CDs. Ele ainda colabora em montagens de ópera, concertos e na gravação de CDs com os grupos Le Poème Harmonique, dirigido por Vicent Dumestre; o Concert d´Astrée, dirigido por Emmanuelle Häim; o Le Concert Spirituel, de Hervé Niquet; e o Doulce Mémoire, de Denis Raisan Dadre. 

Em 2005, passou a trabalhar com o flautista Pierre Hamon, a vielista Vivabiancaluna Biffi e a harpista Angelique Mauillon, sua irmã, com quem gravou três CDs que lançaram nova luz sobre a música de Guillaume de Machaut (1300-1377). O trabalho com Hamon o fez conhecer Jordi Savall e Montserrat Figueras e, na sequência, ser convidado a integrar o Hesperion XXI em produções e gravações de CDs. 

Mauillon apresenta-se, ainda, em duo com a irmã Angelique, com a organetista Catalina Vicens e com o pianista Guillaume Coppola. Em trio, apresenta-se com Angelique e a gambista Friederike Heumann. Ele também tem realizado, nos últimos anos, diversos recitais em solo, resultado do CD Songline-itinéraire monodique, de 2016. Por seu mais recente CD, Leçons de Tenébrès, com obra de Michel Lambert, recebeu o prêmio Choq de La Musique, da renomada revista musical francesa.