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Manifesto Café: conheça a cafeteria mais politizada de Curitiba

Por: Diego Denck
Manifesto Café: conheça a cafeteria mais politizada de Curitiba

Diz a lenda que o café passou a ser consumido a partir do século VI, na Etiópia, após um pastor notar que suas cabras ganhavam energia ao ingerir o fruto. O processo para virar bebida levou um tempo, e foi no Iêmen que ela teria ganhado seu nome: “cahue”, que significa força. Foi só em 1475, porém, que o café passou a ter um caráter mais social, com a inauguração da primeira cafeteria do mundo, na Turquia.

Nos anos seguintes, esses estabelecimentos se popularizam no Oriente Médio e passaram a ser um ponto de encontro entre artistas e poetas – e normalmente é a cultura que questiona os melindres da sociedade. Ao longo dos séculos, por diversas vezes a bebida quase foi proibida, devido às suas características energéticas. Felizmente, o café se tornou um símbolo de resistência, sempre conquistando cada vez mais adeptos.

Força, energia, cultura e resistência estão no cerne do Manifesto Café, inaugurado em janeiro de 2018 na Avenida Silva Jardim, em Curitiba, atrás da UTFPR. Logo no nome, o estabelecimento carrega toda uma carga semântica que faz jus à ideologia proposta por seus fundadores, Bruno Goy e Rafael Suzuki.

Café antes de ser torrado (Foto: Divulgação/Manifesto Café)

Pessoas que se ajudam

O Manifesto Comunista, de Karl Marx, foi a inspiração do nome da cafeteria, que surgiu da mente empreendedora de Bruno Goy antes mesmo da possibilidade de concretizar sua vontade. Por mais de 6 meses, ele pagou aluguel do ponto sem saber direito como implementaria esse desejo. Nas horas vagas, Bruno e seu pai fabricavam os móveis do local e esperavam o momento oportuno para abrir o Manifesto Café – algo que aconteceu após a sociedade com Rafael Suzuki, já experiente no ramo da gastronomia.

O público cativo é feito de estudantes da UTFPR, que encontram no café um ambiente de bate papo. Aos poucos, moradores da região também foram se aproximando e conhecendo a proposta dos sócios, que é a de trazer a agricultura regional e de pequenos produtores para dentro de seu estabelecimento.

Público encontra espaço para debates (Foto: Divulgação/Manifesto Café)

Através de uma nova sociedade, agora com a adesão de Fabiola Jungles, Guilherme Penteado e Fábio Meger, o Manifesto Café passou a tratar o fruto desde a sua produção, incentivando a agricultura familiar. Uma das principais parcerias foi com o Projeto Consolida, idealizado por Fabiola, que promove o protagonismo feminino em todos os estágios da preparação e da torra do café.

Outra curiosidade é que a decoração do lugar é feita por artistas locais, como fotógrafos, que podem deixar suas obras expostas e à venda nas paredes do café. Até mesmo as xícaras de lá foram feitas por uma ceramista artesanal da região, favorecendo ainda mais a integração entre os diversos segmentos empresarias.

Projeto Consolida privilegia os café produzidos por mulheres do campo (Foto: Divulgação/Manifesto Café)

Lanches e cafés

São servidas 2 opçõs de lanches: com carne e vegetariano, ambos a R$ 8,50. As receitas costumam variar, dependendo da disponibilidade dos produtos nos fornecedores. No dia em que visitamos o café, o vegano era feito com tofu defumado e brotinho – uma delícia! “A ideia é ter um consumo consciente do alimento e servir um café especial por um preço justo”, ressalta Suzuki.

Os café especiais também atraem os visitantes, que costumam encher o local para debater sobre diversos assuntos, principalmente política – apesar da ideologia do local, todas as tribos são bem-vindas, desde que pratiquem o debate saudável e livre de preconceitos. Os preços variam desde R$ 3,50 por um café coado feito com grãos selecionados até R$ 7,00 por um capuccino. O Manifesto Café funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 19h, e aos sábados, das 10h às 16h.

Insumos de pequenos produtores são os mais escolhidos para o cardápio (Foto: Divulgação/Manifesto Café)