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Ingressos do show de cantora baiana em Curitiba esgotam em menos de duas horas

Por: Anna Sens, especial para a Gazeta do Povo
Ingressos do show de cantora baiana em Curitiba esgotam em menos de duas horas

“Tá frio aí?”, pergunta a cantora baiana Luedji Luna em entrevista exclusiva ao Guia Gazeta do Povo. Com dois shows marcados em Curitiba no dia 25 de abril, no Teatro Paiol, a primeira sessão, às 20h, teve os ingressos esgotados em 24 horas. A sessão extra, 21h40, voou: em duas horas, já não havia mais ingressos. 

O show traz as doze canções do álbum Um Corpo no Mundo, o primeiro e único de Luedji, lançado em 2017. Pela primeira vez por aqui, ela diz perceber a demanda do público como um bom sinal. “Fico feliz, mas fico atenta. A gente precisa criar mais mecanismos para circular, olhar mais para o Sul, para o Norte”, conta.

Hoje Luedji vive em São Paulo, mas veio de Salvador para tentar a carreira de cantora. Ela era a criança que pegava chuveirinho e triturador de alho para fazer de microfone e brincar que estava apresentando um show, aos pulos no sofá. Seguir o sonho deu certo.

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“Nossa cama, nossa casa e nossa gente são sempre a melhor coisa, é o que nos configura e nos forma como ser humano. Acredito que ninguém sai só porque quer”, explica Luedji, dizendo que ainda acha Salvador o melhor lugar do mundo. “Mas hoje eu me tornei um pouco de São Paulo e a cidade se tornou um pouco de mim”.

A “diáspora individual” de Luedji Luna é uma narrativa comum do nordestino, segundo ela, e foi só quando chegou em São Paulo que percebeu a crise de identidade pela qual o povo negro perpassa. “Estamos num país que a população é majoritariamente negra, mas não é representada. Isso gera uma crise, como ‘eu estou aqui nesse território, mas não me vejo nesse território”.

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Para Luedji, existe um apagamento político da identidade negra, física, cultural e simbolicamente. “Eu comecei a questionar qual é o meu lugar no mundo, qual é meu território. Um Corpo no Mundo nasce nesse lugar: do corpo negro que não pertence nem ao Brasil e nem pode voltar para a África. Afinal, para que África voltaríamos?”.

Com o mesmo nome de uma rainha da etnia Lunda, Luedji sente que tem responsabilidade. “Me vejo como uma preta responsável. Nessa sociedade que a gente mata um pai de família com 80 tiros, não há outra alternativa a não ser gritar e lutar”, ela diz. Se não fosse contra o racismo, diz que teria outras lutas, mas “eu nasci preta e tenho necessidade de fazer voz contra o genocídio de pessoas negras”.

Brasis no Paiol

O show de Luedji Luna é o primeiro da série 2019 do projeto Brasis no Paiol, que chega ao sétimo ano. Produzido por Bina Zanette (Santa Produção) e Heitor Humberto (Fineza Comunicação e Cultura), a proposta dos shows é trazer música autoral e mais independente ao Teatro Paiol, um tradicional espaço de Curitiba. “O público começou a redescobrir o espaço e os próprios artistas começaram a comentar sobre o Paiol”, fala Heitor.

O espaço foi transformado em teatro em 1972, sendo que antes era um abrigo de pólvora. Tem capacidade para 217 pessoas e já recebeu grandes nomes da música brasileira. 

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A expectativa pelo show de Luedji também atingiu os produtores do Brasis no Paiol, uma vez que fãs começaram a ligar para a produção para verificar se não teria possibilidade de aumentar o número de ingressos, aos prantos. “Com o projeto, tentamos trazer novidades para Curitiba: um artista ou um show que nunca veio pra cá, e acho que foi um tiro certeiro começar com ela”, diz. O projeto começa no dia 25 de abril e segue até dezembro, com programação mensal e ingressos a R$ 10 e R$ 5.

“A Luedji tem essa pegada afro-baiana, a segunda banda puxa pro afro-americano, o Siba é super nordestino, a gente vai ter rap, e por aí vai, a gente procura fazer uma colcha de retalhos da produção atual autoral independente brasileira”, finaliza Heitor.

Confira os shows programados para o Brasis no Paiol 2019:

– 25 de abril: Luedji Luna (BA)

– 23 de maio: Aláfia (SP)

– 13 de junho: Tulipa Ruiz (SP)

– 11 de julho: Siba (PE)

– 15 de agosto: Duo + Dois: Duofel, Robertinho Silva e Carlos Malta (SP/RJ)

– 12 de setembro: Dow Raiz (Curitiba)

– 24 de outubro: Plutão já foi Planeta (RN)

– 21 de novembro: Edgar (SP)

– 05 de dezembro: Bernardo Bravo (Curitiba)

– 19 de dezembro: Anelis Assumpção (SP)