Cinema

Apesar da concorrência da internet, locadoras ainda sobrevivem em Curitiba

Por: Maria Luiza Piccoli, da Tribuna do Paraná
Apesar da concorrência da internet, locadoras ainda sobrevivem em Curitiba

O assunto mexeu com a emoção dos curitibanos. Depois que a Tribuna contou a história da Cartoon, tradicional vídeo locadora de Curitiba que, este mês, anunciou o encerramento definitivo de suas atividades após 33 anos, muita gente procurou a reportagem para indicar onde estão os sobreviventes do segmento que, espalhados por diversos pontos da cidade, ainda resistem.

Para conferir de perto como alguns empresários do ramo de locação de vídeo enfrentam a concorrência do cinema on demand e das plataformas de streaming,apontados como grandes responsáveis pela derrocada das locadoras, fomos até os bairros Orleans e Jardim das Américas, onde dois estabelecimentos queridos (e frequentados) pelas respectivas vizinhanças foram apontados como remanescentes do setor.

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Manhã de terça-feira. No número 691 da Rua João Falarz, bairro Orleans, em Curitiba, Marcos Loguetta repete o mesmo ritual há 30 anos. Cabelos alinhados e uniformizado, o empresário abre as portas da WF Locadora, organiza a vitrine e, de trás do balcão da loja, se prepara para mais um dia de trabalho.

Cercado pelas prateleiras repletas de filmes ele recebe a reportagem da Tribuna na “colmeia”, cômodo onde guarda as cópias de todos os títulos da loja, que somam um total de 50 mil vídeos. Funcionando no mesmo local desde a inauguração, na década de 80, a WF foi testemunha dos anos áureos do home vídeo, chegando a ter cadastrados 30 mil clientes fixos em sua melhor época, na qual também contava com a ajuda de 4 funcionários.

Resistir ao streaming não foi fácil. Principalmente a partir de 2014, quando as plataformas online se popularizaram, indo de encontro à proposta das vídeo locadoras. “Se antes o deslocamento até a locadora era sinônimo de passeio com a família, de repente, isso tudo ficou esquecido frente à comodidade da Internet”, lamenta o empresário que, apesar de ter observado uma queda significativa na movimentação da loja nos últimos anos, ainda conta com clientes fiéis, registrando uma média de 900 a mil aluguéis de vídeos e games por semana. “São aluguéis mais pontuais. Muitos gamers e estudantes em busca de títulos específicos. Tem também aquele pessoal que acaba ficando sem ter muito o que fazer no final de semana e vem pra cá”, afirma.

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Ao custo de R$ 6 a locação, os lançamentos são os mais procurados e, para cativar a clientela, o pacote promocional permite levar 3 títulos: 2 lançamentos e 1 catálogo, a R$ 10.
Nem apenas de vídeos, porém, sobrevive o estabelecimento. Segundo Marcos, agregar outros serviços à locadora foi essencial para a manutenção do negócio. Para tanto, o empresário contou com a ajuda da família, adepta do artesanato, para vender além dos produtos manufaturados itens de armarinho que atraem uma boa clientela ao estabelecimento. “Dividida” em dois setores e com menos funcionários, a loja segue funcionando, mostrando que é possível, sim, sobreviver à concorrência online. “Enquanto houver produção de mídia para venda, nós continuaremos funcionando”, garante o empresário.

Jeito é diversificar 

Mario Inushi, da Blue Chips, diversificou seus produtos pra se manter no mercado. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Mario Inushi, da Blue Chips, diversificou seus produtos pra se manter no mercado. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Do outro lado da cidade, na Rua João Doetzer, bairro Jardim das Américas, Mario Inushi, demonstra a mesma perseverança. À frente da locadora Blue Chips há 27 anos, o empresário também agregou outros serviços ao estabelecimento para se manter no mercado. “Quando vi que o movimento começou a cair, há alguns anos, abri uma franquia dos correios e comecei a vender itens de perfumaria”, revela.

Além disso, Mario demitiu funcionários e partiu para um imóvel próprio, o que ajudou muito a reduzir os custos do negócio, que conta com 7 mil títulos no acervo e 10 mil clientes cadastrados. Sem pretensão de fechar as portas, Mario garante que continuará ativo e proporcionando às famílias do Jardim das Américas a saudosa experiência de passear entre as prateleiras da loja e escolher vídeos.

Aos demais que, como ele, ainda sobrevivem no segmento, além de prestar apoio, Mario recomenda redução de custos e criatividade. “Encontre algum outro serviço ou produto que agregue ao seu negócio. Hoje, infelizmente, não dá mais para sobreviver só com vídeo locadora”, lamenta Inushi.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

As sobreviventes
A Tribuna procurou saber o número exato de vídeo locadoras que ainda resistem em Curitiba, porém tal registro não consta nos levantamentos da Associação Comercial do Paraná (ACP).
Mesmo assim, a partir das indicações dos próprios leitores da Tribuna, descobrimos mais alguns estabelecimentos remanescentes. Confira:

Claymore Vídeo Locadora
Av. Presidente Kennedy, 1431 Rebouças

Pipoca
R. Francisco Alves Guimarães, 149 – Cristo Rei

Queops Vídeo
Rua Veríssimo Marquês, 1384 Centro (São José dos Pinhais)

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