Shows

Drexler no Guaíra: voz, violão e a canção como terapia

Por: Sandro Moser
Drexler no Guaíra: voz, violão e a canção como terapia

Somados os anos de faculdade, residência e o tempo de clínica em seu próprio consultório, o compositor uruguaio Jorge Drexler se dedicou a medicina por dez anos.

O cantor que tem na estante um prêmio Goya, um Oscar e um par de Grammys, vem a Curitiba pela terceira vez no dia 08 de junho (sábado) para única apresentação do seu novo show “Silente”, às 21h, no Teatro Guaíra. Os ingressos custam entre R$ 65 e R$ 306 dependendo do local do assento.

Da sacada de sua casa em Madri, na Espanha, onde vive há 27 anos, Drexler conta ao telefone que tem refletido sobre o período no qual pensou que era mais um otorrinolaringologista do que um cantor. “Depois de algum tempo, acabei aceitando que medicina não tinha sido um atraso na minha carreira, pelo contrário”, disse.

A experiência no consultório, afirma, o fez perceber melhor o “aspecto terapêutico da canção”. “Eu uso a canção de modo terapêutico. Escrevo de modo terapêutico, a começar por mim. Se elas me fazem bem, eu acho que elas podem fazer bem a outras pessoas. Pela propriedade transitiva que elas têm”, brinca.

Drexler vem mostrá-las em um concerto no formato “guitarra e voz”, ou seja, de uma maneira mais próxima àquela como foram compostas. “As canções de alguma maneira fazem um caminho de retorno a sua forma original. Ela nasce assim [com voz e violão], depois muda para entrar no disco, se adaptam ao som geral do arranjo com a banda e agora volta para o formato nu”, disse.

Ele observa, porém, que muitas vezes suas músicas voltam a um lugar que não era o original. “Vocês vão ver que as versões das musicas são bem diferentes das gravadas”.

O show mais intimista vem no sequência de sua maior turnê mundial até hoje, Salvavidas de Hielo. Foram mais de 100 shows em 13 meses entre 2017 e 18, passou por 17 países e foi visto por mais de 150 mil pessoas.  

“Eu tenho uma oscilação pendular entre o formato maior e aberto e este formato intimista. Depois de uma turnê longa, fiquei com vontade de fazer um concerto menor”.  

Sem Nostalgia 

Drexler observa, contudo que um show mais íntimo não significa menos elaborado.  “É preciso pensar com mais cuidado na cenografia, luzes e roteiro. O show é muito teatral. A primeira vez que eu trabalho com a cenografia tão profundamente”, disse.

No palco, o músico fica só em um cenário todo analógico. Sem luz automatizada, nem máquina de fumaça. Tudo de madeira e feito à mão. No repertório no show, vão estar cançoes de todos os seu álbuns desde o primeiro, La Luz Que Sabe Robar, de 1992. “Eu levo uma coleção de canções que são feitas para navegar o desassossego”, promete.

Para ele o show “é uma narrativa histórica e pessoal de sua carreira”, mas não tem nada de nostálgico. “Nostalgia não entra no meu método de compreensão do mundo. Nostalgia é pensar que o melhor já aconteceu e que o presente é ruim. Eu tenho outra visão, do mundo, da gente e das canções”, filosofa.

Enquanto Pico, seu canário de estimação que já fez participação em sua canção Silêncio solta a voz ao fundo “ele é o melhor cantor da casa”, Drexler conta o que gosta de fazer quando está em turnê.

“Quando estou de em turnê, não escrevo nada. Fico absorto na festa e na alegria das viagens, na celebração com os amigos velhos e os novos”, disse.

O ritual pós-show inclui um jantar e uma esticada para dançar em cada cidade que visita.  “Depois de um show não consigo dormir. Preciso de movimento. Deixar sair a alegria acumulada. Como uma maré cheia que tem que deixar vazar”.