Restaurantes

Restaurante rural serve filé de igreja, mesa é coletiva e não tem wi-fi

Por: Flávia Schiochet
Restaurante rural serve filé de igreja, mesa é coletiva e não tem wi-fi

Entrar no Jackson Assados é como experimentar um momento fora tempo ou espaço atuais. Fora do tempo porque para muitos será como voltar décadas. Fora do espaço porque pode parecer que o deslocamento foi muito maior do que os 30 quilômetros que separam Quatro Barras de Curitiba.

O restaurante é tocado pela família Silva: Jackson na churrasqueira, Vanderlí na cozinha e os filhos Arthur (17) e Estevão (20) no salão (veja a foto abaixo). Nos fins de semana, como o movimento aumenta, aumenta também a equipe assistente. O que não muda é o jeito de servir e preparar: a carne é sempre assada na churrasqueira a lenha, sob o olhar atento de Jackson, e a família esbanja simpatia – não importa quão lotado esteja o salão, o quarteto passa de mesa em mesa para conversar com os clientes.

“É o serviço de restaurante de interior, como era antigamente. Busquei pratos que lembram festa de igreja, pratos que eram parte do almoço de família do curitibano há 40, 50 anos”, define Jackson. Em um fim de semana, o restaurante chega a servir cerca de cem quilos de carne e mais de dez quilos de maionese.

O filé de igreja (R$ 98, serve duas pessoas) são duas peças com osso compostas de mignon e contrafilé e vem com arroz, salada de tomate e cebola e maionese de batatas. É possível pedir meia porção, em que vem apenas um filé (450 g), por R$ 70.

Os outros dois pratos principais são picanha (R$ 147, serve até quatro pessoas), com um quilo de carne e servida com arroz, salada de tomate e cebola, maionese e batata frita e alcatra orelha de elefante (R$ 137, serve até quatro pessoas), que leva a alcunha por seu tamanho avantajado. A alcatra pesa um quilo e é servida com os mesmos acompanhamentos da picanha.

A picanha é temperada apenas no sal. A alcatra e o filé de igreja são marinados num tempero que Jackson aprendeu com seu pai e padrinho: com cebola, alho, pimenta, um pouco de vinagre e azeite de oliva e água. “É tempero de polaco. Eu cresci na Barreirinha, era o jeito que a gente sempre fez churrasco”, conta.

Também é possível montar a refeição da maneira que preferir, com a porção de alcatra orelha de elefante a R$ 73, picanha a R$ 92 e filé de igreja a R$ 57 (ou meia porção a R$ 31). Os acompanhamentos são vendidos por porção, como arroz e feijão (R$ 10 cada), salada de tomate e cebola (R$ 14) e maionese (R$ 15, 500 g).

>>> Restaurante serve pratos com osso para cliente terminar de comer com as mãos

Porções, sanduíche, sobremesa

Compõem o cardápio porções para compartilhar, como bolinho de carne (R$ 29, 12 unidades), batata, mandioca e polenta fritas (R$ 19 cada), linguiça (R$ 29, 500 gramas), entre outros. Destaque para a carne de onça (R$ 49, serve até três pessoas), servida à mesa para que os clientes temperem com o que quiserem: cebola, cebolinha, mostarda escura e azeite de oliva. A carne pode ser patinho ou alcatra e é servida com broa de centeio.

O pão com bolinho entrou definitivamente para o cardápio depois de participarem da quarta edição do Festival Pão com Bolinho, em que serviu o sanduíche com vinagrete, bacon, mostarda escura e cebolinha (R$ 15).

Na placa no restaurante diz que não tem wi-fi para as pessoas praricarem os atos humanos mais primitivos de conversar, rir e comemorar.

A sobremesa é o pudim de leite condensado, feito por Vanderli na noite anterior e vendido por fatia (R$ 7) ou inteiro (R$ 60). Para ajudar na digestão, uma dose das batidas de frutas de abacaxi ou de maracujá, servidas em frente ao caixa.

Dias de rodízio

No almoço às quartas o sistema é rodízio (R$ 37,90), em que servem três cortes (picanha, alcatra e filé argentino). Os acompanhamentos ficam em dois fogões a lenha no salão, para que o cliente se sirva à vontade: arroz, feijão, farofa caseira, mandioca frita, polenta frita, salada e maionese.

Às sextas, das 19 às 22h30, o restaurante tem rodízio de petiscos a R$ 29,90 por pessoa, com porções de batata frita, polenta frita, mandioca frita, pasteis de queijo e de carne, enroladinho de vina, coxinha de frango, quibe e os preparos da grelha: pão de alho, costelinha suína, medalhão de frango, coxinha da asa e linguicinha.

>>> No recanto das ostras, novo bistrô aposta na 'pururuca de parmesão'

Clima de festa em casa

Quem cresceu no interior ou faz parte de uma família numerosa terá uma sensação de familiaridade ao pisar no salão do Jackson Assados. O chão é de brita, as mesas são longas e para compartilhar, e a área externa é o quintal da casa dos Silva, com um galinheiro, um parquinho modesto, horta e gramado.

A decoração do galpão é com peças antigas: balança, telégrafo, ventilador, liquidificador, rádio, frigideira, berrante. Na mesa, garrafas de vidro guardam farofa, um jeito prático de manter longe da umidade e fácil para dosar a quantidade no prato.

O restaurante Jackson Assados faz parte do circuito Sentidos do Campo, um roteiro de turismo rural de Quatro Barras que integra outros restaurantes e empreendimentos rurais, como a vinícola Família Fardo e o Portal do Itupava.

>>> Onde comer churrasco de igreja em Curitiba

Jackson e Vanderli não trabalhavam com cozinha antes de abrirem o restaurante. A bem da verdade, estavam mais próximos de calculadoras que do fogão: trabalhavam no setor financeiro de duas empresas em Curitiba. Como Jackson já cozinhava em casa aos domingos para amigos, quando ficou desempregado, em 2013, começou a preparar refeições. “Era costela, risoto, maionese e pudim, tudo para levar. Mas tomou proporção que não tinha mais cômodo dentro de casa que não tivesse mesa”, relembra. As mesas naqueles anos eram feitas com cavaletes e tábuas, fáceis de serem desmontadas. Sentavam 60 pessoas naquela época. Hoje são 120 lugares na parte interna e 30 na parte externa.

Das quentinhas ao restaurante lotado aos fins de semana, foram alguns anos. A estrutura atual terminou de ser construída em 2017, quando a família fez o telhado, uma cozinha contígua e a churrasqueira passou para a parte de dentro do restaurante. Abriram em outubro daquele ano, servindo os mesmos clientes que costumavam frequentar a sala de casa dos Silva.