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Cavalo Babão, Mocinhas da Cidade e Maria Lata d’Água: conheça a história de oito fontes de Curitiba

Por: Sandro Moser
Cavalo Babão, Mocinhas da Cidade e Maria Lata d’Água: conheça a história de oito fontes de Curitiba

As águas que vertem das fontes e chafarizes de Curitiba contam a história da cidade. Criadas em diferentes épocas, algumas das fontes fazem homenagens a povos ou personalidades históricas. Outras remetem a tempos da urbanização curitibana. O Guia da Gazeta do Povo resgatou a história de oito fontes da cidades com curiosidades e até polêmicas que marcaram suas construções.

Fonte da Praça Osório

A Fonte da Praça Osório, no centro de Curitiba, é um bom resumo de como Curitiba se transformou nos últimos 150 anos. A praça foi criada em 1878 e com o passar dos anos foi ganhando as arvores alinhadas e os canteiros elevados que são a marca da praça.

Em 1914, a praça ganhou um chafariz, com estátuas de sereias e de um cisne trazidos da França.

Reformado nos anos 1960, a fonte ganhou iluminação e aplicação de pastilhas verdes. Nas tardes quentes de verão, é possível ver os piás fugindo do calor mergulhando nas suas águas.

Chafariz da Praça Zacarias

A fonte da Praça Zacarias é a memória do primeiro encanamento de água da capital, quando os moradores nem sonhavam com o conforto de ter uma torneira dentro de casa.

Inaugurado em 1871, o chafariz do Largo da Ponte (antigo nome da praça) servia de ponto de abastecimento para os "pipeiros" que faziam a distribuição de água na cidade em carroças.  

O monumento foi retirado da praça e virou peça de museu durante a primeira metade do século 20. Foi devolvido ao seu lugar de origem em 1968 e lá se mantém como uma pedaço da história da urbanização da cidade.

Fonte Mocinhas da Cidade

A dupla caipira Nhô Belarmino e Nhá Gabriela foi o maior caso de sucesso da música do Paraná em todos os tempos. Em homenagem aos artistas foi construída uma fonte dos desejos, chamada de Fonte Mocinhas da Cidade, na esquina das ruas Cruz Machado e Alameda Cabral. 

Além da agua nos cinco vertedouros, há os painéis de cerâmica com uma imagem da dupla e a letra da música homônima que é o maior sucesso da dupla e uma imagem dos dois.

A fonte foi inaugurada em 1996, no mandato do prefeito Rafael Greca e projeto de Fernando Canalli.

Memorial Árabe

O busto do escritor e filósofo Gibran Khalil Gibran (1883-1931) estará eternamente cercado de água por todos os lados no espelho d’água da fonte do Memorial Árabe. A fonte fica num entre o Passeio Público, o Colégio Estadual e o Shopping Mueller.

A praça que leva o nome do autor de “O Profeta” fica em frente ao memorial que homenageia a cultura árabe.

O memorial tem 140 metros de área construída em um prédio cuja arquitetura lembra as construções mouriscas com elementos como a abóbada, as colunas, os arcos e os vitrais no espelho d’água da fonte do Memorial Árabe.

Fonte Jerusalém (ou Fonte dos Anjos)

Inaugurada pelo atual prefeito de Curitiba, Rafael Greca, em seu primeiro mandato no ano de 1995, a Fonte Jerusalém foi construída para comemorar os três mil anos da histórica capital de Israel.

Com projeto do arquiteto Fernando Canalli, a fonte luminosa fica na esquina das avenidas Sete de Setembro e Arthur Bernardes, tem quase 15 metros. No topo, há três anjos de bronze, de aproximadamente quatro metros, que valeram o apelido ao monumento.

Cada um dos anjos representa as três religiões monoteístas para as quais Jerusalém é sagrada: cristianismo, judaísmo e islamismo.

Fonte da Praça Eufrásio Correia

Meio escondido na praça que separa a Câmara Municipal do Shopping Estação na Avenida Sete de Setembro, o chafariz na Praça Eufrásio Correia é um dos mais bonitos da cidade.

Inaugurado em 1916, foi importado da França e forjado por uma fundição muito importante, a Fonderie d'Art du Val d'Osne, espécie de líder do mercado mundial de fontes. Na época, a praça por estar perto da estação ferroviária era rodeada por diversos hotéis.

Fonte “Cavalo Babão”

Originalmente batizada de Fonte da Memória, o vertedouro da Praça Garibaldi, no Largo da Ordem, foi rebatizada pelo povo de “Cavalo Babão”. A obra em bronze e granito é do artista  Ricardo Tod. Foi inaugurada em 1995, para resgatar a história dos colonos que levavam seus cavalos para beber água na região.

Desde então a escultura divide opiniões e chegou a ser colocada numa lista de sete monumentos bizarros de Curitiba. Um dos maiores blocos do carnaval de Curitiba se chama Caiu no Cavalo Babão.

Fonte Maria Lata D’Água

Outro monumento que despertou polêmica foi a fonte hoje chamada de Maria Lata d’Água, inaugurado em 1993, durante as comemorações dos 300 anos de Curitiba.

A fonte atrás do Paço da Liberdade, no centro histórico, é marcada pela escultura “Água Pro Morro”, de Erbo Stenzel, um dos poucos monumentos da cidade que representa uma pessoa negra. 

A mudança do nome da estátua para “Maria Lata D’Água” desagradou a comunidade negra de Curitiba por situar uma negra em situação de trabalho duro e precário no suposto local do pelourinho da cidade, onde os negros escravizados eram vendidos até o século 19.

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