Cinema

Festival internacional lota salas de cinema em Curitiba

Por: Sandro Moser
Festival internacional lota salas de cinema em Curitiba

Aos 30 anos, o cineasta belga Pieter Domoulin (foto abaixo) viajou pela primeira vez para fora da Europa para divulgar seu trabalho. Tratando do tema da migração entre os países da Europa e Ásia de forma pouco ortodoxa, seu primeiro-longa metragem, Etangs Noirs, dividiu o público ao estrear na noite de sexta (8) em Curitiba durante o festival Olhar de Cinema. Pieter disse que adorou a reação do público. “É muito interessante tentar entender como as pessoas recebem a história que tentamos contar, as diferença entre nossa intenção e a forma como cada um a recebe”, disse.

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O belga é um entre dezenas de realizadores estrangeiros e brasileiros que estão em Curitiba defendendo seus filmes, interagindo entre si e participando da 9ª edição do Festival Internacional Olhar de Cinema que começou na última quarta (5) e segue até quinta (13). Dentre os convidados estão desde cineastas estreantes até o diretor  Karim que há duas semanas venceu o prêmio  Um Certo Olhar, no Festival de Cannes, com o filme A vida invisível de Eurídice Gusmão.

Ao todo, há dez mostras de filmes de perfis diferentes em cartaz que vão exibir 131 filmes de 50 países. A grande maioria inédita no Brasil. Há desde estreias mundiais como filmes da primeira década do século 20. É possível baixar o aplicativo do festival para montar o prório cronograma e escolher o filme mais apropriado ao gosto de cada espectador. Em paralelo, uma série de eventos e encontros que ajudar a criar uma atmosfera carregada de cinema em Curitiba.

“O festival traz várias outras coisas não é somente a exibição de filmes, precisa ser mais amplo que isso ou não faz sentido. São 12 dias respirando cinema. Para quem gosta é um prato cheio, um momento para descobrir coisas diferentes”, explica Antônio Junior um dos diretores do Olhar de Cinema.

Chuva de cinema 

O epicentro do festival é em alguma ponto no meio dos pouco mais de 200 metros da rua Presidente Taunay, no Batel, que separam o Espaço Itaú de Cinema, no Shopping Crystal, do Cineplex Batel, no Shopping Novo Batel.  No Espaço Itaú estão programadas a maior parte das sessões. No hall de entrada do Shopping Novo Batel foi instalado o palco onde todas as manhãs os realizadores debatem seus filmes apresentados na sessão noturna da véspera.

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Neste ano, o festival ganhou duas novas salas no recém inaugurado Cine Passeio, no centro histórico. Desde a sexta-feira (8), na Cinemateca de Curitiba, boa parte dos realizadores do audiovisual do estado está reunida no 3.º Fórum Paranaense de Cinema. A expectativa é de que cerca de 20 mil pessoas passem pelas sete salas que recebem o festival até a sessão de encerramento com o filme Breve História do Planeta Verde, de Santiago Loza.

A fluência do público do festival muda a rotina dos cinemas da cidade. Nas bilheterias do Espaço Itaú, a fila se divide entre famílias que querem assistir a animação blockbuster Aladdin com cinéfilos com o caderninho de programação do olhar de Cinema nas mãos que, em geral, compram entradas para mais de uma sessão diária.  Ao contrário do que normalmente acontece, as três caixas da bilheteria funcionam o tempo todo para dar vazão à fila permanente.

Foco em Camila Jose Donosso

Todos os anos, o Olhar de Cinema escolhe e chama atenção para a carreira de um realizador contemporâneo para uma mostra especial, batizada Foco.

Em 2019 a cineasta chilena Camila Jose Donosso (foto acima) é quem está na mira. Uma das cineastas mais inquietas de sua geração, Camila tem uma produção importante a partir de 2013 com filmes que misturam as fronteiras do documentário e da ficção e tratam de personagens incomuns.

“Eu ando meio cansada dos filmes tradicionais e da homogeneização da forma de contar histórias no cinema. Parece que é preciso tomar uma decisão quando se vai filmar se um documentário ou uma ficção e eu optei por nunca responder esta pergunta e simplesmente fazer filmes e senti-los como uma experimentação de formas distintas”, disse.

Seus três filmes, Naomi Campbell, Casa Ruschell e Nona, se me molham os queimo (o último com o ator brasileiro Eduardo Moscovis), serão exibidos pela primeira vez no Brasil. “Um festival como este é muito importante. Mostrar e ver filmes ajuda a formar pensamento crítico sobretudo no contexto político que estamos. O cinema pode ajudar a desmistificar certas coisas e ver o mundo de outros prismas".