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Peça com Claudia Abreu é o destaque do fim de semana no Festival de Curitiba

Por: Sandro Moser
Peça com Claudia Abreu é o destaque do fim de semana no Festival de Curitiba

No final do ano de 2015, Cláudia Abreu era uma atriz a procura de um autor. Ela estava afastada do teatro desde 1999 – com exceção de curtas temporadas com peças infantis.

Vontade de estar no palco não faltava, mas sim por não achar o texto certo. “[Queria] um texto contemporâneo que cobrisse as questões que eu realmente estava a fim de falar”, disse.

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Cegueira coletiva, violência das relações, crise de valores da humanidade diante de um futuro incerto. Como não havia a peça que desse conta de tudo isso ao mesmo tempo a saída foi voltar aos primórdios da carreira e criar coletivamente a peça que não existia.

Ao lado de Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo e sobre textos de autores como de Jô Bilac, André Ant'anna, Franz Kafka e Paul Auster, surgiu ao espetáculo PI – Panorâmica Insana, grande destaque da programação do primeiro final de semana do Festival de Curitiba.

A peça tem duas apresentações, uma neste sábado (30) às 20h e domingo (31) às 19h no Teatro Guaíra (veja detalhes abaixo).

Com direção de Bia Lessa, PI – Panorâmica Insana ganhou o prêmio de melhor peça de 2018 pela Associação Paulista de Crítico de Arte (APCA). Em um cenário de um palco teatral inacabado, cercados por milhares de peças de figurinos espalhados no chão, os atores vivem cerca de 150 personagens de diferentes nacionalidades.

Este caos babélico é arquitetado pela trilha sonora criada pela diretora e por Dany Roland, com várias camadas de músicas e ruídos em que voz dos atores é submetida a efeitos.

Tudo para, segunda Cláudia, chegar à dramaturgia urgente que ela buscava. “É uma peça visceral que chama a uma reflexão contundente. Não queria trabalhar com algo que não fizesse sentido. Neste momento de desmonte cultural, acho [que PI – Panorâmica Insana] é necessário como posicionamento e reflexão”.

Segundo Claudia, o processo de criação coletiva teve como resultado um espetáculo que não pode ser chamado de panfletário, nem assume lado óbvio na disputa politica e cultural da sociedade brasileira. Pelo contrário.

“A gente quer trazer o público diverso, e mostrar com teatro os vários lados que uma mesma questão pode ter e ampliar a reflexão. A arte só é valida se é transformadora. Acho que conseguimos chegar onde queríamos”.