Cinema

“Era uma vez em… Hollywood”, de Tarantino, muda tragédia da cultura cinematográfica

Por: Bruna Covacci
“Era uma vez em… Hollywood”, de Tarantino, muda tragédia da cultura cinematográfica

Tarantino é capaz de mudar a história com o cinema. Em “Era uma vez em… Hollywood”, o diretor dá novos tons para assassinatos cometidos por jovens seguidores de Charles Manson.

O filme que estreia na quinta-feira (15) se passa no verão de 1969, época em que o homem está pisando pela primeira vez à lua, “Easy Rider” estreia nos cinemas e o festival de Woodstock acontece pela primeira vez. É nesse período de acontecimentos culturais em que Rick Dalton (DiCaprio), um astro do cinema, precisa se adaptar as mudanças que a indústria está sofrendo. Sua decadência também afeta a vida de Cliff Booth (Brad Pitt), dublê e melhor amigo de Dalton – “mais do que um irmão, pouco menos que uma esposa”.

O dia está terrível, até Dalton se lembrar que o diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha) e a atriz em ascensão, Sharon Tate (Margot Robbie), são seus vizinhos. O futuro promissor de Tate, seguindo o script da vida real, é brutalmente interrompido pelo crime cometido por seguidores da Família Manson, culto liderado por Charles Manson, quando ela estava grávida de oito meses e meio. A atriz e mais quatro de seus amigos foram mortos no que ficou conhecido como o caso Tate-La-Bianca. Sem spoilers, o caminho de Booth, de alguma maneira, acaba cruzando como de Manson e seus fiéis neste thriller de humor sombrio com referências pop e desfechos surpreendentes, característicos da aclamada estética de Tarantino: sangue, muito sangue.

Os dois personagens centrais podem ser fictícios, mas são rodeados por personalidades que viveram de fato naquela época. Além de Manson e Tate, entram em cena Bruce Lee, Steve McQueen e Wayne Maunder (todos interpretados por atores). A caracterização, assinada pela figurinista Arianne Phillips (a mesma de turnês de Madonna e dos filmes de TomFord).

Clássicos

Tarantino sempre faz uma homenagem aos gêneros clássicos do cinema. Aqui, o personagem de DiCaprio tenta se adaptar ao fim da era de ouro do Cinema (1920 e 1960). Com isso, também vieram os novos astros originários da TV. Talvez por isso, quando o assunto é homenagear a forma que ganha força no período, Tarantino tenha escalado um montão de atores que são de séries e foram chamados para o cinema, como Maya Hawke, a Robin de Stranger Things.

Ambientado em Los Angeles, com muitas cenas rodadas ao ar livre, o filme faz reverência à estética do cinema e da cultura da época, com recriações impressionantes de detalhes e lugares icônicos, como o Cinerama Dome e o Fox Theater. Além das belas transições, direção de fotografia e música impecável, DiCaprio e Brad Pitt, juntos, são por si só um motivo para ir ao cinema – e estão melhores do que nunca.