Cinema

Disney abre as portas da nostalgia em novo Aladdin

Por: Anderson Gonçalves
Disney abre as portas da nostalgia em novo Aladdin

Memórias de infância têm um lugar especial na nossa mente. Aquela comida que nem é tão requintada, mas tem um sabor diferenciado por ter sido preparada pela mãe ou pela avó. Aquele lugar que nem era muito bonito, mas ganha outras cores a partir das experiências vividas lá. Assim acontece com o cinema também. A inocência e a ausência de um olhar mais crítico típicos da infância transformam produções simples em filmes inesquecíveis. Para grande parte dos adultos de hoje, essa iniciação cinematográfica se deu com as animações, vistas na tela grande, na televisão, em fitas de VHS ou mesmo DVDs para os mais jovens.

Toda essa introdução foi para chegar a uma das principais estreias dos cinemas na próxima quinta-feira (23). Aladdin, de Guy Ritchie, é a versão em live action (com atores de carne e osso) da animação homônima lançada em 1992, que está no imaginário de muitos espectadores como um clássico da infância. É esse sentimento de nostalgia que parece ter levado a Disney a apostar em um filão que não é exatamente uma novidade, mas ganha impulso significativo a partir deste ano.

Em Aladdin, Will Smith dá vida ao gênio azul que sai de uma lâmpada mágica para ajudar um jovem humilde a conquistar a princesa pela qual se apaixonou. A história é inspirada no clássico conto árabe As Mil e uma Noites, e fez com que a animação da Disney se tornasse a maior bilheteria mundial em 1992, faturando mais de US$ 500 milhões. A produção, que tinha o saudoso Robin Williams dublando o personagem do gênio, ainda ganhou dois Oscar no ano seguinte, de melhor trilha sonora e canção. Pelas informações que circulam e pelo que se viu nos trailers, a expectativa é que o filme seja, em grande parte, uma reprodução da animação, inclusive com as canções célebres em novas versões.

É o que tem feito a Walt Disney Pictures – subsidiária dos estúdios Disney para produções em live action – desde 2010, quando lançou Alice no País das Maravilhas e faturou expressivos US$ 1 bilhão. Vieram então Malévola (2014), Cinderela (2015), Mogli: o Menino Lobo (2016) e A Bela e a Fera (2017), todos com bilheterias expressivas. Em 2019 já tivemos Dumbo, de Tim Burton, cujo desempenho ficou abaixo do esperado pelos produtores, mas nada que suscitasse preocupação. Até porque a grande aposta chega aos cinemas no dia 18 de julho: a nova versão de O Rei Leão, que, desde que teve suas primeiras imagens divulgadas na internet, causou furor nas redes sociais.

Isso é só o começo. Entre lançamentos já confirmados e rumores, há a expectativa pelo menos 17 adaptações de histórias animadas pela Disney nos próximos anos. Em novembro deste ano estreia Malévola 2, que traz Angelina Jolie mais uma vez no papel da vilã de A Bela Adormecida. Para 2020 já estão marcadas as estreias de Mulan – versão para a animação de 1998 sobre uma jovem chinesa que se torna guerreira – e Cruela, protagonizado pela vilã de 101 Dálmatas. Ainda em 2019, o remake de A Dama e o Vagabundo será um dos carros chefes do Disney+, serviço de streaming da companhia a ser disponibilizado em novembro nos Estados Unidos. Ainda sem confirmação oficial aparecem, entre outros, A Pequena Sereia, Lilo & Stitch e Branca de Neve e os Sete Anões.

Resgate de personagens

A Disney percebeu que nostalgia pode ser um negócio bastante rentável. Em 2017, em uma entrevista ao site Vulture, o presidente da Walt Disney Pictures, Sean Bailey, deu a dica dos rumos a serem seguidos pela empresa, comparando com outro mercado bilionário. “Nós pensamos que se Homem de Ferro, Thor e Capitão América são os super-heróis da Marvel, talvez Alice, Cinderela, Mogli e Bela são os nossos super-heróis, e Cruela e Malévola são nossas supervilãs”, afirmou.

A ideia de Bailey e dos estúdios Disney foi justamente resgatar personagens já conhecidos e repaginá-los, atraindo assim os fãs antigos e apresentando-os às gerações mais jovens. “Se houver uma maneira de se reconectar com aquilo que os personagens significam para as pessoas, de uma maneira que se obtenha o máximo de talento e use a melhor tecnologia, isso pode se tornar algo realmente excitante. Parece algo muito Disney, aproveitando as vantagens competitivas dessa marca”, disse o presidente na mesma entrevista.

Jerry Beck, historiador de desenhos animados e executivo da Disney TV, acredita que a companhia encontrou nas produções live action uma forma de manter seu legado em voga. “Se você não mantém essas propriedades intelectuais vivas, logo ninguém saberá quem são. A Disney está pensando: ‘como apresentamos Dumbo para o público de hoje?’ Quando as pessoas vão à Disneylândia elas veem a atração do Dumbo, mas não sabem quem é Dumbo. Estamos agora reapresentando o personagem a elas”, disse o executivo ao Christian Science Monitor.

Mesmo reciclando histórias e personagens já conhecidos, o que é mais um sintoma da falta de criatividade que vive o mercado de entretenimento (vide a proliferação de franquias, sequências e remakes), a Disney leva vantagem, na opinião de David Bossert, autor que trabalhou por 32 anos na companhia. “O sucesso da Disney se dá muito pelo fato de que ela conta grandes histórias com personagens cativantes. Há um nível de qualidade perceptível. Se você vir os filmes ao longo dos anos, eles sobreviverão ao teste do tempo.”

O que vem aí

Confira o que a Disney está preparando para os próximos anos no que se refere a transformar animações em live action:

Confirmados

O Rei Leão – 18 de julho

Malévola 2 – 17 de outubro

A Dama e o Vagabundo – 12 de novembro nos EUA pelo Disney+, serviço de streaming que deve chegar à América Latina somente em 2020.

Mulan – 26 de março de 2020

Cruela – 23 de dezembro de 2020

Não confirmados oficialmente:

A Pequena Sereia

Lilo & Stitch

Peter Pan

O Corcunda de Notre Dame

Branca de Neve e os Sete Anões

Pinóquio

Uma Noite no Monte Calvo (adaptação de um trecho de Fantasia, de 1940)

A Espada Era a Lei

Príncipe Encantado

Mogli: o Menino Lobo 2

Sininho

Rosa Vermelha (protagonizado pela irmã da Branca de Neve)

 

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