Cinema

Durante uma semana Curitiba se torna na capital do cinema

Por: Luiz Gustavo Vilela, especial para a Gazeta do Povo
Durante uma semana Curitiba se torna na capital do cinema

Ao longo de uma semana, entre os dias 5 e 13 de junho, Curitiba se torna a capital brasileira do cinema, quando acontece a oitava edição do Olhar de Cinema. O festival, cada vez mais relevante na programação cultural paranaense e, principalmente, no calendário cinematográfico nacional e internacional, chega em sua maturidade. Não apenas, mas também, pela quantidade de filmes que serão exibidos nos quatro espaços – Espaço Itaú de Cinema, Cineplex Batel, Cinemateca e Cine Passeio, somando ao todo 131 produções. O símbolo máximo deste bom momento está na promoção do 1º Encontros de Cinema de Curitiba, um Mercado Criativo de Negócios que se presta a troca de ideias entre produtores, diretores, roteiristas, distribuidores e exibidores.

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Segundo Antônio Jr., diretor do Olhar de Cinema, os encontros são um projeto antigo do festival que só agora irá sair do papel. A ideia é expandir o conceito de um mercado de negócios, apostando em outras dimensões da produção cinematográfica: “é um mercado criativo por ter a função de conectar pessoas que são ou querem entrar na área, mas ao mesmo tempo tem a função de discutir questões criativas e não só de números ou editais. Três atrizes, por exemplo, farão masterclasses. Num painel de coprodução iremos falar sobre questões legais e burocráticas, porém esses mesmos diretores e produtores irão falar de questões criativas também.”

O diretor acredita que este é o momento exato para que este tipo de iniciativa, considerando o estado atual da produção cultural. “Queremos explorar este lado criativo porque o mercado também precisa se renovar criativamente. Muitas vezes vemos que o perfil dos eventos vai muito para o lado do negócio e não tem nada relacionado à criação, invenção e autoria”, revela, sem, todavia, desconsiderar os riscos: “a indústria ainda é muito incipiente. Têm vários problemas que acabam pela falta de estrutura da cadeia produtiva. Em relação à produção de conteúdo original, temos ainda muito pouco. O Paraná produz menos do que outros estados que são menores.”

É, exatamente, nessa questão que o encontro irá atuar, “para auxiliar na estruturação porque a gente traz distribuidores e curadores do mundo inteiro para discutir essa questão de mercado criativo de cinema”, diz Antônio. Entre as visitas ilustres está Rodrigo Teixeira, da RT Features, recém-chegado do Festival de Cinema de Cannes, com alguns prêmios na bagagem. “Acho que foi uma edição histórica para o Brasil, muito emocionante. Nós sabíamos os filmes que tínhamos, e acreditávamos muito neles, mas sair de lá com dois prêmios, o de Melhor Filme para A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (do brasileiro Karim Aïnouz) e o FIPRESCI para o The Lighthouse (de Robert Eggers) superou todas as nossas expectativas”. Além do filme de Aïnouz, Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, também foi premiado na edição.

As impressões de Teixeira também reforçam a noção de que o Olhar de Cinema se tornou relevante nacionalmente: “Eu acho que o Olhar é um dos festivais mais importantes do Brasil, e o trabalho que eles fazem é muito competente. Fico muito feliz por participar do Festival mais uma vez, e vejo que hoje ele é um dos principais acontecimentos da agenda do cinema no Brasil”. Ele espera que o “Encontro possa ampliar ainda mais o mercado local, para que novos filmes sejam rodados em Curitiba”.

Ao lado do Encontros de Cinema, houve também uma repaginação do Seminário de Cinema, evento de discussão sobre o estilo e forma dos filmes exibidos no Festival. A ideia, segundo Antônio, é promover “mais debates e vai acontecer no hall de entrada do Pátio Batel. Vai ser montada uma estrutura, de cadeira, poltrona, microfone. Ele será mais democrático. Os filmes do dia anterior, quando os realizadores estiverem em Curitiba, na manhã seguinte vão ter um espaço para discutir com o público e com a imprensa, além das conversas pós sessão, que a gente vai manter.”

O Festival

Depois de oito edições o Olhar de Cinema conquistou seu lugar no cenário nacional ao se comprometer uma identidade clara, que se reflete pela curadoria. “As pessoas já entenderam bem qual é o perfil, qual é o tipo de filme que a gente está interessado. Realizadores e realizadoras querem estar com seu filme aqui. Cineastas do mundo inteiro sabem que o Olhar de Cinema existe e querem trazer seus filmes”, comenta Antônio. Isso se reflete diretamente na escolha para a Mostra Competitiva, com produções de países como EUA, Bélgica e China, além de, claro, Brasil, mas principalmente na escolha de Raul Ruiz como nome central da retrospectiva.

Segundo o curador, a escolha do cineasta chileno “pareceria algo que remetesse a um passado mais distante de nossa história. Contudo, hoje essa mostra reflete um momento em que o exílio, infelizmente, passa a fazer parte do nosso presente”. Foram escolhidos os filmes de interlúdio na Europa, lançados entre 1975 e 1985, quando escapou da sanha do ditador Augusto Pinochet. O tema do exílio deu margem para uma espécie de mostra anexa, com trabalhos de outros diretores que também tiveram que escapar das ditaduras latino-americanas, como os brasileiros Júlia Murat, Ruy Guerra, Júlio Bressane e Helena Solberg, além de, claro, Glauber Rocha.

Ao lado da já tradicional Mirada Paranaense, em que filmes de realizadores das Araucárias – ao todo oito curtas e um longa chamado, vejam só, Pinhão, de Andréia Kaláboa – são exibidos para o grande público, outra novidade desta oitava edição do Olhar de Cinema é a Mirada Brasileira. Nesta nova sessão, trabalhos que já passaram com louvor por outros festivais, nacionais e internacionais, e, pensam os curadores, merecem maior atenção, ganham espaço na programação. Dois destaques são Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes, e Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro. Ambos estrearam no Festival de Cinema de Berlin.

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