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Bonecos com mais de três metros de altura vão participar de cortejo no centro histórico

Por: Anna Sens, especial para a Gazeta do Povo
Bonecos com mais de três metros de altura vão participar de cortejo no centro histórico

Neste sábado, a partir das 15h, um cortejo invade o centro histórico de Curitiba com o encontro de dois bonecos gigantes e uma banda com mais de cem instrumentos, a Banda Escola de Fazenda Rio Grande, desfilando juntos pelo Largo da Ordem.

O projeto se chama Lugar de Gigantes e esta é a primeira vez que acontece em Curitiba – as outras foram em Salvador. “São as cidades da minha vida”, explica a baiana Alessandra Flores, criadora do projeto e que vive parte do tempo em Curitiba e parte em Salvador.

Muito mais do que um cortejo, o projeto é resultado de uma oficina feita em escolas municipais da cidade. Na capital paranaense, o workshop foi feito na Escola Municipal Araucária, no Bairro Alto, e no Centro de Educação Infantil Professor Lauro Esmanhoto, no Bracatinga.  

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Alunos com mais de 75 anos, sendo alfabetizados pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos), e estudantes de dez anos se reuniram por dez dias para contar suas histórias e as histórias de suas famílias. “A oficina tem um processo de escutar histórias de vidas, o trabalho é inspirado nisso”, explica Alessandra. “Os mais jovens ouvem os mais velhos. Queremos que as pessoas se escutem mais”.

A partir das histórias contadas, o grupo começa a criar um personagem com o que se destacou ao longo da oficina. Primeiro, em desenho. Depois, em um boneco gigante feito de vime e papel de seda. Do Bracatinga, surgiu uma agricultora estudante, inspirada principalmente na história de senhores que não puderam estudar quando crianças porque trabalhavam na roça. Já do Bairro Alto, uma mulher indígena, nascida a partir de crianças descendentes de índios em Curitiba.

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As duas bonecas gigantes vão se encontrar no Bebedouro do Largo da Ordem no meio do cortejo, no chamado “Encontro de GigAntes”. A agricultora sai do Memorial de Curitiba, às 15h, e a indígena, no mesmo horário, sai do Conservatório de Música. Cada uma precisa de três pessoas para ficar em pé: uma dentro, e duas que manejam os braços. 

“Há sempre um envolvimento muito grande, é um processo coletivo em todas as etapas, é algo feito pelas pessoas e que as representa”, conta Alessandra.  Atriz, bonequeira e jornalista, começou a trabalhar com bonecos gigantes durante uma temporada em países pós-guerra, como Croácia e Bósnia. De lá surgiu a oficina e “é sempre muito bonito de ver como as pessoas se identificam” com os bonecos criados, segundo ela.

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Depois de Curitiba, as oficinas de Alessandra vão para o Sergipe e, quem sabe, outros estados do Brasil. Ela agradece o acolhimento das escolas e dos criadores dos bonecos, que, junto com a banda, regida pelo Maestro Evandro Ribeiro, alegrarão o centro da cidade neste sábado. O evento é para toda a família.