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Como fazer um festival de música e promover a circulação de artistas?

Por: Sandro Moser
Como fazer um festival de música e promover a circulação de artistas?

Festival independente ou com patrocínio? Com bilheteria  ou com portões abertos? Um espaço para lançar talentos ou chamar medalhões como isca de público?

O mercado dos festivais de música no Brasil – e na América – foi debatido na tarde do último sábado (23) por alguns de seus principais articuladores durante o último dia da Feira Internacional de Música do Sul (FIMS).

A conversa na sala do Cine Guarani, no Museu Metropolitano de Arte, em Curitiba, mostrou como funcionam alguns dos eventos mais importantes do setor nos país e do exterior.

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A conclusão é que não há fórmula “certa” para se montar um grande festival. Cada um deve respeitar suas características particulares de público, espaço e vocação. O que é unanimidade entre os especialistas é que festivais de música têm papel fundamental na circulação de música, e também no surgimento e no fortalecimento de cenas nas regiões que os recebem.

Em Curitiba, alguns festivais já fazem parte do calendário da cidade, como o Psychocarnval e o Coolritiba.

Exemplos nacionais

O funcionamento e a dinâmica de alguns eventos nacionais foram colocados no debate sobre qual a melhor forma de concebê-los e de sustentá-los para que eles cumpram esta função da circulação musical. 

Gutie, produtor do Rec Beat, festival que acontece há 23 anos em Recife, durante o carnaval, explicou que o evento não cobra ingressos e é patrocinado por editais públicos de empresas como o Spotfy —  a divisão do orçamento implica 65% pago aos caches dos artistas e 15% para gastos com estrutura e técnica. 

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“Fazendo uma conta simples: o festival custa cerca de R$ 5 para cada pessoa presente no público. É um orçamento apertado, mas que nos dá liberdade curatorial. Algumas bandas tocam para um publico para o qual não tocariam em outras circunstâncias”, disse.

Com outro perfil, o festival Se Rasgum, em Belém do Pará, cobra ingressos do público o que limita a capacidade de ousar na escalação. “Quem cobra ingresso precisa de atrações de peso, de headliners para garantir a presença do público. Temos uma verba só pra isso e se o artista não topar temos uma lista com outros 10”, frisou o diretor do festival Marcelo Damaso.

Diretor do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), um dos maiores do país (que começa no dia 19 de julho no agreste pernambucano), André Brasileiro exemplifica a importância do evento com um número: o festival praticamente doba a população da cidade sede que tem 450 mil habitantes durante o resto do ano.

“Nosso festival é todo feito com dinheiro público em um edital nacional e nunca tivemos nenhum problema de influência política nas escolhas”, afirma.

No mundo

Já o mexicano Jose Luiz Cruz que coordena o Festival Ollin Kan, um dos maiores eventos do mundo na idade do México diz que o festival é “co-dependente” dos artistas que nele atuam. “Temos uma grande dívida com os artistas que tocam conosco com o cachês que podemos pagar. São eles que, de certa maneira, nos patrocinam”.

O Olin Kan que reúne anualmente mais de 1 milhão de pessoas na capital mexicana é famoso por ser um símbolo da resistência cultural das línguas, musica e tradição dos povos ancestrais mexicanos.

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