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Caetano faz show com os filhos e diz que clima de país “assusta, mas não surpreende”

Por: Sandro Moser
Caetano faz show com os filhos e diz que clima de país “assusta, mas não surpreende”

Aos 75 anos, Caetano Veloso conta que coube a ele a missão de convencer os “meninos” para fazer o show que chega a Curitiba no próximo dia 21 de dezembro no Teatro Positivo – Grande Auditório.

No caso, ele se refere aos filhos: Moreno (44), Zeca (25) e Tom (20), que dividem com o pai o palco do espetáculo que estreou no Rio de Janeiro em outubro e tem lotado casas e arrebatado aplausos em outras capitais.

Caetano já havia trabalhado com o mais velho, mas agora que os mais novos “cresceram”, ele “forçou a barra”. “Zeca não queria. Paulinha [a mãe] achava que Tom não podia. Moreno, muito ocupado. Passei uns dois anos e meio sonhando em fazer esse show. Enfim, é tudo um sonho meu”, conta o pai.

Os Veloso são hoje uma família com três gerações de músicos. “Todos conversam comigo sobre música, me mostram coisas, mostro coisas a eles.” No texto de apresentação do show, Caetano escreveu: "Não somos uma família de músicos, como há tantas, dado o fator genético do talento musical. Somos músicos de família".

O compositor quer dizer que não está praticando o chamado "nepotismo do bem" (na definição do jornalista Nélson Motta) ao dar oportunidade aos filhos mostrarem seu trabalho. Para Caetano, a ideia de dividir o palco com sua prole deu-se apenas por que o patriarca achou que “seria uma realização humanamente luminosa para mim”.

O repertório do show tem canções de Caetano referentes à família como Reconvexo ou Ofertório que compôs para o funeral da mãe Dona Canô (que morreu aos 105 em 2012). Tem canção sobre o tempo (Oração ao tempo), sobre a religiosidade (Um canto de afoxé para O bloco Ilê), sobre maternidade (Força Estranha) sobre gente (Alguém Cantando) e sobre muitas coisas.

Clássicos como Leãozinho, Trem das Cores e Alegria, Alegria também estão no repertório. E há parcerias de Caetano com Zeca e Moreno. “O resultado é bonito para nós – e tem sido bonito para as plateias brasileiras que têm vindo nos ver”.

O pai famoso e idolatrado não se considera o chefe do projeto, pelo contrário. “Não me sinto um band leader. Muito menos junto a meus filhos. Eles mandam em quase tudo. Até o cenário foi eleito por eles entre as três hipóteses que Hélio Eichbauer trouxe com grande carinho.”

Ele observa que os ensaios e a produção toda estão sob um signo diferente pela relação de afeto dos envolvidos. “A atmosfera é bem diferente do usual. Há nossa proximidade, nossa intimidade. Tudo é feito com o devido cuidado, mas o clima é relaxado e doce.”

“Clima político assusta, mas não surpreende”, diz Caetano

Caetano é um artista que além de criar, sempre se posicionou em questões estéticas e políticas de uma maneira corajosa que lhe custou notórios aborrecimentos.

Perguntado se pensava chegar nesta altura do campeonato tendo que enfrentar um momento de intolerância que, de certa maneira, escolhe os artistas como as bruxas da vez, Caetano diz que o clima no Brasil “assusta um pouco, mas não surpreende tanto”.“Olho para mais longe, no tempo e no espaço, nosso passado, nossas possibilidades futuras e os fatos políticos de que temos notícia na cena mundial, e vejo que era inevitável que coisas assim acontecessem aqui”.

Para ele, o show como os filhos funciona como “uma fresta de luz contra a escuridão que insiste em se impor”.“Quem vê nosso show agora aqui no Brasil sente emoções fortes relativas a nosso momento político a nossa história. E não falamos diretamente de nada disso. É só um lampejo de jeito de vida”, diz Caetano.

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