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Blues e jazz por todos os lados. Por que Curitiba respira estes gêneros?

Por: Sandro Moser
Blues e jazz por todos os lados. Por que Curitiba respira estes gêneros?

Cinco grandes eventos de blues (e do seu ‘filho’ mais sofisticado, o jazz) acontecem em Curitiba e região entre os meses de maio e junho. O pontapé foi o Curitiba Blues Festival, um sucesso com mais de 4 mil pessoas que durou doze horas apenas com shows de artistas locais.

No último final de semana, o BB Festival reuniu grandes nomes do gênero com destaque para Stanely Jordan e o 'bruxo' Hermeto Pascoal na Praça da Espanha. O cantor americano J. J. Jackson fechou o mês de aniversário do Full Jazz Bar, tradicional reduto da boa música em Curitiba com dois shows na sexta e no sábado. Nos próximos dias, acontece a 4ª edição do Antonina Blues Festival. No fim de semana, o Saul Trumpet Jazz Festival tem vez na Praça da Espanha.

O Guia da Gazeta do Povo + Clube ouviu alguns nomes que fazem parte desta cena de blues e jazz para que fatores convergem para o sucesso destes gêneros em Curitiba.

Segundo o empresário José Araújo Neto, promotor do Curitiba Blues Festival, a ascensão da cultura da cerveja artesanal foi alavanca importante da cena bluseira, ao escolher o ritmo como trilha sonora mais adequada ao perfil de seu público.

“O estilo musical aliado da cultura cervejeira é o rock. Porém, o rock é muito barulhento para se tocar nos barzinhos onde as pessoas querem conversar e relaxar. Com formato de blues é possível inclusive tocar clássicos roqueiros e agradar a todos. Então, uma saída natural foi voltar ao primórdio do rock que é o blues, que fica muito mais cool dentro do bar”, avalia.

Neto é proprietário do Bar Quermesse, Mr. Hoppy Beer & Burger e Porks, e nesses dois últimos chega a fazer 18 shows de blues em uma única semana.

A cantora Jamy Savtchen, vocalista do Dose em Blues, das bandas mais atuantes na cena, também destaca a sinergia com a cultura cervejeira e da motocicleta muito presente em Curitiba com o blues. Para ela, porém, o ponto fundamental é a qualidade da produção musical da cidade seja por músicos da nova geração ou por nomes consolidados como Bene Chireia, Décio Caetano e Emerson Caruso. “Vejo muita gente que migrou do rock clássico para o blues. Muitos novos projetos de blues surgindo na cena o que é ótimo para todo mundo. Quanto mais, melhor”.

Um dos nomes mais importantes do jazz em Curitiba, o guitarrista Celso Loch, na estrada desde a década de 1970, avalia que a cidade " sempre teve uma forte tradição jazzística, às vezes meio escondida, mas pulsante. Para ele a receita se explica com uma 'conta de padeiro". "Músicos excelentes, fazendo uma música de qualidade, inevitavelmente vão atrair um público fiel. Os empresários, sempre atentos às oportunidades, estão sabendo investir na hora certa, criando uma infraestrutura para que a magia aconteça".

Antonina Blues Festival terá recorde de shows

Para o empresário Marcos Maranhão, um dos idealizadores do Antonina Blues Festival, há fatores culturais que fazem os festivais de blues caírem no gosto popular.“As pessoas curtem os festivais ao ar livre, em especial numa cidade como Antonina com seu cenário de montanhas, mar, igrejas e casas coloniais, longe da mesmice da cidade. Tudo isso é o Blues”, destaca. Para ele, o blues é um tipo de música que os brasileiros entendem bem.

“É uma música simples e na qual todos nos entendemos dançando. Há também a empatia pelos cantores negros americanos que se parecessem aos nossos sambistas, com vidas geralmente sofridas e que foram tirar a desforra com o som, a dança, as letras”.  

Na edição do ano passado, o Festival esgotou os leitos em todas as formas de hospedagem em Antonina e na vizinha Morretes.Para este ano, ele espera um número recorde de shows com mais de 50 atrações de diversos estados e cidades. De Minas, São Paulo e Santa Catarina e de cidades Londrina, Curitiba, Ponta Grossa, São Bento, Balneário Camboriú, Itajaí e do RS, além do argentino Juan Codazzi e do americano Lorenzo Thompson.

“Queremos o público curta a música e esse cenário contagie as pessoas para vir mais à cidade, atrair artistas, empresários e turistas para transformar a cidade de Antonina numa Parati do Sul, numa Colônia de Sacramento…”.