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Bienal de Quadrinhos começa nesta quinta (6) embalada por boa fase da HQ nacional

Por: Sandro Moser
Bienal de Quadrinhos começa nesta quinta (6) embalada por boa fase da HQ nacional

Ao falar das periferias e da história escondida do Brasil, os quadrinhos brasileiros vivem fase de reconhecimento internacional. O paulistano Marcelo d`Salete venceu em julho o prêmio Eisner, o maior dos quadrinhos, com Cumbe. O livro trata dos quilombos de africanos escravizados durante o período colonial.

Obras com temática regional como Castanha do Pará, do paraense Gidalti Jr., que venceu o último prêmio Jabuti, ou Tungstênio, trama policial de Marcelo Quintanilha passada em Salvador e laureada no Festival de Angoulême, o maior da Europa, também integram este movimento.

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Fazer um panorama deste momento da produção do quadrinho nacional é a proposta da 5ª edição da Bienal Internacional de Quadrinhos que acontece entre os dias 6 e 9 de setembro, no Museu Municipal de Arte (MuMA), no bairro Portão. 

Maior evento de quadrinhos do sul do país, a Bienal é a principal atração cultural para o feriado da Independência em Curitiba.

Todos os criadores citados acimas estão entre os mais de 60 convidados para as palestras, debates e intervenções. A lista inclui nomes como Rafael Campos Rocha, Caco Galhardo, Luli Penna, Guazzelli, Julio Shimamoto, Fabio Zimbres e outros. Também há feira de HQs, sessão de autógrafos, oficinas, shows musicais e exposições simultâneas. Todas as atividades serão gratuitas.

 “Não consigo me lembrar de um momento com tanta projeção internacional como o atual com obras que tratam de temas que à primeira vista poderiam parecer de interesse local, mas que provaram o contrário”, destaca Erico Assis, tradutor de HQs. Ele é um dos curadores da Bienal ao lado Mitie Taketani, proprietária da loja Itiban Comic Shop.

O tema central desta edição da Bienal é “A Cidade em Quadrinhos”. Várias ações e muitos dos debates vão tratar de temas ligados ao urbanos e sobre o futuro das cidades. “Representar a cidade sempre foi um tema para as HQs: a vida na cidade, o ritmo da cidade, as pessoas que moram lá, o que acontece quando você mora em uma cidade”, disse Assis.

Não por acaso, o grande homenageado da edição, que irá receber o Prêmio Cláudio Seto de Quadrinhos, é Key Imaguire. Arquiteto, urbanista e agitador cultural convicto, Imaguire é o idealizador da Gibiteca de Curitiba, a primeira do Brasil.

Mulheres nos quadrinhos

Outro projeto de destaque na Bienal é o Leia Mulheres um projeto que incentiva a leitura, a divulgação e o debate de obras de escritoras. Nesta edição a obra destacada será Sem Dó, HQ de Luli Penna sobre a São Paulo dos anos 1920. “Sempre houve quadrinistas mulheres que por vezes não têm a visibilidade que merecem, por razões que não são exclusivas do universo dos quadrinhos, mas que também nos atingem, infelizmente”, disse Assis

Em sua última edição, em 2016, cerca de 30 mil pessoas circularam pelo MuMA durante a 4ª Bienal de Quadrinhos, que trouxe mais de 100 artistas – como o catalão Joan Cornellá, a equatoriana Power Paola, o uruguaio Troche e os brasileiros Laerte, Jaguar, Marcello Quintanilha, Rafael Sica e Benício.