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Bandas curitibanas disputam em concurso que vai eleger a melhor do mundo

Por: Amanda Milléo
Bandas curitibanas disputam em concurso que vai eleger a melhor do mundo

Quatro bandas de Curitiba e região apresentaram seus Mash ups (mescla de duas ou mais músicas, que resultam em uma nova canção) na noite deste sábado (06) ao público e um grupo de jurados durante o concurso Battle of Bands do Hard Rock Cafe (HRC). A competição na capital paranaense, que acontece simultaneamente a outras cinco sedes do HRC pelo mundo, resultará em apenas dois vencedores, que serão conhecidos no dia 15 de abril.

Além do prêmio de 1mil dólares, as bandas vencedoras deste fim de semana serão as representantes brasileiras na competição mundial, que terá lugar no Hard Rock Cafe de Nova York (EUA), localizado em uma das avenidas mais conhecidas mundialmente, a Times Square.

Quem vencer lá receberá 15 mil dólares e a apresentação será transmitida pelas redes sociais. Nesta próxima etapa, o público poderá votar e escolher a melhor banda de rock do mundo – característica que remete aos programas de talentos que, atualmente, são sucesso de público, como o The Voice, X Factor e Superstar.

Não à toa, portanto, que as meninas da Napkin, uma das bandas de Curitiba concorrendo ao pódio, estavam tão empolgadas antes de subirem ao palco no começo da noite deste sábado: “A expectativa está superada em vários aspectos. A organização, a receptividade, a troca com as outras bandas. A ideia de ‘batalha’ está só no nome, porque a parceria entre as bandas é muito boa. Temos orgulho de sermos as únicas mulheres na competição, e por isso também priorizamos músicas de mulheres na nossa apresentação. Nosso objetivo é fazer o nosso melhor, aquilo que a gente ama”, diz Kimberly Neves, ao lado da Natana Alvarenga, outra integrante da banda, que favorece músicas indie.  

Já Neto, como é mais conhecido o vocalista Edson Neto da República Pine, estava não apenas empolgado como confiante com a apresentação. O motivo? A banda é velha conhecida dos Mash ups. “Faz três anos que estamos na cena local, e nosso setlist era de cover e fazíamos mash ups. Foi uma coincidência muito legal quando vimos o concurso. Só precisamos gravar o vídeo e nos inscrevermos”, relata o vocal. A banda é conhecida pelo som reggae, indie e grunge.

O som da Brave Heart promete agradar a quem busca um rock mais pesado, e é exatamente isso que o vocalista Michael Bahr quis transmitir no palco. “A coisa mais legal é você poder estar no palco e fazer o seu som. Fazemos mash ups, mas também músicas nossas. E quando vemos o público cantando junto, mexendo a cabeça no refrão, é muito legal! A expectativa é muito grande e agora, como a banda tem mania de falar, é só ‘chinelada na cara’”, instiga o cantor.

Contrastando com o rock pesado da Brave Heart, os meninos da Voraz vêm com uma mensagem diferente e mais alto astral: “Queremos passar a nossa mensagem, a energia positiva da Voraz. Nossas músicas são covers de clássicos brasileiros, mas também autorais. Queremos transmitir uma diversão ao público, para que eles curtam o momento”, diz Diogo Ferraz, vocalista, ao lado de João Ferraz (guitarra), Lucas Elion (bateria) e Renatto Pucky (baixo), demais integrantes.

Quem ganha?

Para ser reconhecida como a melhor banda de rock, os músicos precisam de algumas qualidades técnicas e de personalidade, de acordo com Paulo Baron, produtor musical e um dos nomes mais conhecidos do rock, sendo empresário de bandas como Scorpions e Angra.

“Tive a sorte de representar muitos artistas nesses últimos 30 anos, e por isso consigo enxergar a pessoa que é artista. Você vê o cara que se apresenta nos bares, e que tocam bem, cantam bem, mas se tirarmos dali e colocarmos em um palco, ele não desenvolve. O artista precisa ter um pouco de talento, um pouco também de personalidade, algumas músicas legais e muito, muito carisma”, explica o produtor.

O carisma, na visão de Paulo, é essencial porque mostra que o artista é, acima de tudo, autêntico e seguro do trabalho que faz. “O artista hoje tem que ser e tem que se assumir. Pode ser que não dê certo, mas pode ser que aquele seja o seu momento. O show business dos anos 1980 trazia aquele homem de terno, o protótipo do cara legal. Então veio um cara sujo, cabelo desfeito, e que se tornou perfeito para o momento, porque era o contrário daquilo que o público esperava. Era o contrário, mas tinha carisma”, cita Baron, lembrando-se do sucesso de Kurt Cobain e da banda Nirvana.  

Sandro Moser, repórter do Guia Gazeta do Povo e um dos jurados do evento, completa a lista de Paulo com outras qualidades que os artistas em ascensão devem ter: “empatia com o público, capacidade de improvisar, gostar daquilo que faz e, principalmente, saber fazer música boa”.

Para ele, a capital paranaense favorece o crescimento da música porque o rock está no seu DNA. “É uma cidade sem muitos atrativos naturais, como as praias, e propícia para os meninos formaram uma banda de rock. Dos anos 1980/1990 para cá surgiram muitas bandas. Está no DNA da cidade e, por isso, é justo que concursos como esse aconteçam aqui”, diz.

“Fomos selecionados para sermos uma das seis sedes do concurso mundial, e estamos entre cidades conhecidas por serem tradicionalmente ligadas à música, como Nashville, nos Estados Unidos”, comemora Brunno Kukulka, um dos sócios do HRC de Curitiba. “Esta é a primeira vez que uma cidade da América Latina participa da competição mundial”, completa.