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Uma das maiores apostas da música no Brasil faz show em Curitiba

Por: Sandro Moser, colaborou Maria Coelho
Uma das maiores apostas da música no Brasil faz show em Curitiba

“Um jovem negro de 23 anos descobrindo a vida”. Assim se define Baco Exu do Blues, que vem a Curitiba neste sábado (20) para o show de lançamento do seu novo álbum, Bluesman, na Usina 5. O show tem previsão de início às 22h. Os ingressos estão à venda pelo site da Eventim e custam entre R$ 70 e R$ 140.

Bluesman, lançado em novembro de 2018, é o segundo álbum da carreira. O primeiro com produção do próprio músico. “Sempre que é a primeira vez de um show novo eu fico ansioso para saber como as pessoas vão reagir”. Baco convidou artistas como Tim Bernardes e a dupla Lio e Lay Soares da banda curitibana Tuyo. “Eu conheci as meninas através de um som e fiquei muito animado. Entrei em contato com elas e chamei para participar”. 

No álbum, Baco escolheu trabalhar com pessoas da mesma idade para conseguir dirigir musicalmente todo o projeto. “Não queria trazer uma galera mais velha e experiente por que talvez eu não tivesse o tapa ali para poder ver o que eu queria e onde eu queria chegar.”

Cada uma das nove faixas reflete a personalidade de Baco em temas como apropriação cultural e racismo. “É aquilo que eu sinto, não tenho filtro nem máscara, cada pessoa tira a conclusão que quiser disso”, disse.

A faixa título que abre o disco aponta a influência do Blues no empoderamento dos negros e explica o fato do gênero ter sido apropriado por brancos. Para Baco, o Blues é o pai de todos os gêneros musicais. “Qualquer coisa que é feita por negros é demonizada, e quando vem o branco e faz é aceito. Tudo nesse mundo é blues. O Bluesman é essa quebra de paradigma, é o que as pessoas não esperam de você”.

Prêmio em Cannes

O álbum rendeu um curta dirigido por Douglas Ratzlaff Bernardt com clipes de três faixas e uma narrativa. O filme valeu o prêmio no Grand Prix do festival Cannes Lions – dividido com Childish Gambino do polêmico “This is America”. Com o prêmio, o baiano desbancou o casal Beyoncé e Jay-Z, ícones do pop mundial.

Baco não se vê como ganhador do prêmio. “Eu vejo a causa Bluesman que a gente criou e que toca as pessoas. [O álbum] Foi pensado como um projeto que tocasse as pessoas em forma de movimento e ver onde esse movimento chegou é muito bonito”. 

Na estrada há três anos, Baco diz que não sabe como começou. “O músico só se reconhece, não existe um processo de se tornar, acho que você só vai entendendo o que você é”. 

A questão racial é muito forte nem sua obra. Orgulhoso de suas origens, ele afirma que um dos maiores problemas do mundo é a aceitação. “O racismo é implantado na cabeça da população desde a infância e faz parte do cotidiano mesmo que não haja essa identificação. A pessoa branca pode estudar o quanto ela quiser, mas ela ainda vai continuar a reproduzir o racismo de pequenas formas ou não”.

Baco se diz “surpreso” em relação a visibilidade e o reconhecimento que obteve, sobretudo de grandes artistas da MPB, como Caetano Veloso. “Ninguém espera fazer muito sucesso. É muito doido você ver seus professores gostando do que você tá fazendo. Muito bonito. Prova que você tá indo no caminho certo quando as pessoas que abriram caminho antes de você gostam do seu trabalho”, disse.

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