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Áreas vips em shows chegaram ao fim?

Por: Sandro Moser
Áreas vips em shows chegaram ao fim?

Quem for ao festival Prime Rock Brasil, em dezembro na Pedreira Paulo Leminski, vai achar que voltou no tempo. Além das atrações – vários shows medalhões do rock nacional como Paralamas e Capital Inicial – a configuração do público será a dos primeiros shows da Pedreira na década de 1990: uma grande pista sem as divisões de setores vip, premium ou qualquer outro nome que se queira dar.

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“Nós fizemos questão de fazer assim mesmo, exatamente para lembrar como eram os primeiros shows na Pedreira”, explica o empresário Mac Lovio Solek, produtor do festival.

Fórmula de vendas consagrada nas últimas décadas em eventos de todos os portes, a setorização “diferenciada” entre “pista e pista vip”, por proximidade do palco pode estar perdendo terreno a julgar pelos últimos festivais de grande porte que aconteceram em Curitiba.

Um exemplo foi o festival Coolritiba que também aconteceu na Pedreira e que não tinha divisões na plateia, a não ser os camarotes que na Pedreira são permanentes e usados em qualquer espetáculo.

Segundo o produtor Gian Zambon, da Seven Entretenimento, a configuração do Coolritba foi ao encontro do conceito do festival.  “Tem mais a ver com a identidade do Coolritiba que é de aproximar e inserir as pessoas e os artistas”, explicou.  Para ele, em outros festivais de pequeno porte seria difícil equilibrar o balanço entre custos e investimentos.

O produtor, contudo, reconhece que há uma transformação em curso no mercado influenciada por festivais de grande porte como Rock in Rio. Neste novo formato, os camarotes diminuem de tamanho e aumentam de preço (e em alguns casos como o do Prime Rock Brasil vão para dentro do palco). As áreas vips das pistas desaparecem.

“O fim da área vip é uma tendência em grandes festivais que acabam acontecendo em locais gigantes. As pessoas dispostas a pagar mais estão indo mais interessadas no serviço do que na própria música”, disse.  

Neste cenário, observa Zambon “o artista e a música ficam de lado e a pessoa se dispõe a pagar mais caro para ficar em um local com menos visibilidade por que ele quer saber da vodka livre, da massagem, de um monte de coisas que são oferecidas”.  

Serviços diferente, preços diferentes 
Para João Guilherme Leprevost, sócio da CWB Brasil que produz os festivais sertanejos Villa Mix e Country Festival, o “mercado dos shows é muito dinâmico que ao longo dos anos vem sofrendo várias mudanças”.

Ele usa a evolução dos festivais que promove para explicar o caso. “Há 20 anos, era um bloco só de ingressos e quem chegasse antes ficava perto do palco. Aos poucos, pela demanda do público, incluímos o camarote. Depois houve a separação entre a área vip e a pista normal. O formato atual é com uma área de pista e um backstage com serviço de open bar e outras vantagens”, explica.  

Segundo ele, a equação precisa equilibrar a cobrança de dois preços entre a adesão do público e os custos da produção:a pista uniforme e um camarote muito mais caro.

“Nós entendemos que não podíamos cobrar mais caro das pessoas pela diferença de alguns metros mais perto ou mais longe do palco. Até por que estas pessoas preferiam interagir com as outras que ficavam do outro lado com o mesmo serviço”, disse.“No formato com pista e backstage (uma área vip atrás do palco como é no Villa Mix), há dois tipos de ingressos para dois serviços bem diferentes”, conclui.  

Mais democrático? 
Veterano de shows no Brasil e ao redor do mundo, o empresário e blogueiro César Brecaillo, que assina o blog Música Urbana, não acredita que o movimento de fim da área vip seja uma tendência, e lamentaria se fosse.  

“Eu acho uma pena. Você pune aquela pessoa que é realmente fã da banda ou do artista e se organiza para curtir o show até pagando mais caro, mas não tanto. Quem vai ao camarote caro, não o faz necessariamente para ver o show”, disse.

Para ele, ainda que a ideia do fim da área vip “parecer mais democrática, ela no fundo tira a oportunidade de fãs mais ardorosos poderem se aproximar das bandas. Sem contar que no fim, alguém terá que pagar a diferença e provavelmente isto signifique aumentar o preço médio dos ingressos”.