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Alceu Valença traz brasilidade a um Guairão que estará lotado para vê-lo

Por: Sandro Moser e Anna Sens, especial para a Gazeta do Povo
Alceu Valença traz brasilidade a um Guairão que estará lotado para vê-lo

Corações se derretem ao ouvir os clássicos de Alceu Valença acompanhados da Orquestra Ouro Preto. O show “Valencianas”, com ingressos esgotados, vem a Curitiba nesta quarta (17), no Guairão, às 20h30.

O espetáculo do pernambucano, redimensionado em música de concerto, contagia músicos e plateia. “Quando fizemos Valencianas no Porto, o público português levantou-se para dançar em alguns números. Isso é impensável no ambiente da música de concerto”, diz Alceu, aos risos em entrevista exclusiva ao Guia Gazeta do Povo. A experiência traz felicidade: nos vídeos de apresentações anteriores, a alegria é visível no rosto do maestro, dos músicos e do cantor, no centro do palco.

Quem comanda a Orquestra Ouro Preto é o maestro Rodrigo Toffolo e o responsável pelos arranjos é o paraibano Mateus Freire. Para Alceu, a soma das musicalidades traz um olhar diferente sobre a sua obra. “São músicos jovens que contagiam não apenas pela destreza com que executam seus instrumentos, mas pela maneira com que interpretam as nuances da minha música”. 

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O repertório foi escolhido a dedo pelos três músicos. “Eu escolhi, por exemplo, Ladeiras, porque estabelece um diálogo entre as ladeiras históricas de Olinda e as de Ouro Preto. Eles escolheram músicas como Sete Desejos e Junho, que ganharam em densidade e emoção”, explica o cantor, exaltando a sensibilidade que as canções ganham com a orquestra.

Clássicas como Anunciação, Tropicana e Belle de Jour também compõem o espetáculo, além da abertura do show, que é uma suíte que une trechos de diversas composições de Alceu Valença.

A cara do Nordeste brasileiro, Alceu não se considera um sacerdote da musicalidade nordestina, mas não nega a força da sua identidade. “É natural que minha obra esteja repleta dos elementos mouriscos que constituem a essência da canção no nordeste profundo. São influências que assimilei in loco, desde a infância, nas ruas da minha São Bento do Una, no agreste de Pernambuco”.

Ele cita cantadores, violeiros, aboiadores e até cantores cegos de feira como influências. “Valencianas consegue expressar essa identidade de maneira espontânea, por vezes emocional, sempre com muita propriedade”, explica. 

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Dentre sua obra, relembra de Luneta do Tempo, filme que roteirizou e é um “retrato poético de Lampião e Maria Bonita”. Na verdade, quanto ao filme, também dirigiu, atuou e compôs a trilha sonora. “É um filme que trata justamente desses mitos que constituem o imaginário do sertão”, explica. “Todas as falas do filme são rimadas e metrificadas, quase sempre em decassílabos, como na literatura de cordel”.

Essa brasilidade o faz refletir sobre como o país se enxerga e se produz cultural e socialmente. “Acredito que o Brasil precisa voltar-se mais para si mesmo, olhar com mais atenção para sua exuberância cultural”, comenta, dizendo que o país também precisa redescobrir sua trilha sonora, por uma questão de referência. “Não podemos abrir mão de nossa identidade”.

Redes Sociais

Alceu Valença tem como lugar preferido o palco – “Palco pra mim é vitamina. E o contato com o público é sempre o grande vetor”, diz. Por isso, criou uma relação particular como público através da internet. Desde vídeos interagindo com artistas de rua estrangeiros no Leblon, até a série no YouTube “Cantando no Banheiro”, em que aparecia cantando em banheiros de diversos hotéis, Alceu continua ganhando fãs por onde passa.

É o caso da pequena Stella Valentina, que apareceu de surpresa durante o desfile Maluco Beleza, em São Paulo. “Cantamos juntos, foi muito bonito e emocionante, e a menina viralizou. Ela é muito talentosa, tem estrela”, ele diz. Depois de Valentina, muitos pais têm usado as redes sociais para mandar vídeos dos pequenos cantando suas músicas. “O público interage, se diverte bastante e eu me divirto também (…) É uma coisa linda”, finaliza.