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Com ingressos a R$ 30, projeto quer democratizar a música clássica

Por: Gazeta do Povo
Com ingressos a R$ 30, projeto quer democratizar a música clássica

Um concerto de música clássica traz consigo algo muito além da beleza da melodia e da imponência dos músicos que executam a obra. Por trás das notas estão histórias que abrangem a obra em si, compositores, circunstâncias históricas e culturais em que a composição foi feita. Tudo isso, no entanto, dificilmente chega ao conhecimento do público que acompanha as apresentações. Um projeto desenvolvido pelo Instituto de Apoio à Orquestra Sinfônica do Paraná (IAOSP) pretende mudar essa situação.

No próximo sábado (27) acontece a primeira edição da série Clássicos Universais, que pretende democratizar o acesso à música clássica com a realização de concertos com ingressos acessíveis e aberturas pedagógicas sobre as obras. A primeira obra escolhida foi A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, que será executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná a partir das 10h30 no Teatro Positivo. Os ingressos custarão R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada).

Ao longo da apresentação do concerto, a especialista em História da música e formação de plateia Liana Justus fará intervenções explicando quem era o compositor, como a obra foi concebida e apresentada pela primeira vez. Também serão realizados ensaios abertos para alunos da rede pública de ensino e está prevista a distribuição de programas com curiosidades sobre a obra, o autor, o maestro e a orquestra.

Wilson José Andersen Ballão, presidente do Instituto de Apoio à Orquestra Sinfônica do Paraná, ressalta um outro destaque do projeto: a execução da peça seguirá fielmente a orquestração prevista pelo russo Stravinsky, com a participação de quase 100 músicos da Sinfônica do Paraná, que é mantida pelo governo do Estado, sob a regência de seu maestro titular, o alemão Stefan Geiger.

“Para trazer o clima de 1913 à Curitiba de hoje, foram atendidas as especificidades de instrumentação que tornam a obra tão emblemática – como a presença da tuba wagneriana, por exemplo. Queremos que o público curitibano tenha a oportunidade de presenciar um dos grandes clássicos da música erudita mundial em uma performance do mais alto nível de excelência”, enfatiza Ballão. O projeto é uma iniciativa do IAOSP com o Centro Cultural Teatro Guaíra e o governo do Estado, e o patrocínio do Grupo Positivo.

Enredo dramático

Em uma Rússia primitiva, uma tribo deve realizar um intenso ritual de primavera onde uma virgem é eleita para dançar até a morte. O enredo dramático é o fio condutor de uma das obras mais influentes da história da música ocidental, A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky.

O teatro Champs-Élysées estava repleto de pessoas e expectativas na noite em que A Sagração da Primavera foi apresentada pela primeira vez, em Paris (França). Bastou o primeiro movimento para que a inovação fosse evidente: a valorização do ritmo e da percussão, os timbres inusitados, o uso de dissonâncias, a estrutura da orquestra, a intensidade da interpretação. Todos esses elementos impactaram os ouvintes europeus acostumados ao lirismo melódico próprio do Romantismo. Vaias ensurdecedoras ecoaram no auditório anunciando que a música orquestral jamais seria a mesma a partir daquele momento.

“Para trazer o clima de 1913 à Curitiba de hoje, foram atendidas as especificidades de instrumentação que tornam a obra tão emblemática – como a presença da tuba wagneriana, por exemplo. Queremos que o público curitibano tenha a oportunidade de presenciar um dos grandes clássicos da música erudita mundial em uma performance do mais alto nível de excelência.”

Wilson José Andersen Ballão, presidente do Instituto de Apoio à Orquestra Sinfônica do Paraná.