Restaurantes

Família nipo-brasileira abre restaurante de cozinha caseira no Campina do Siqueira

Por: Flávia Schiochet
Família nipo-brasileira abre restaurante de cozinha caseira no Campina do Siqueira

Há nove meses, três cômodos de uma casa de madeira no bairro Campina do Siqueira viraram uma sala de jantar. As paredes externas foram pintadas de laranja e as mesas e cadeiras, dispostas no salão, acomodam cerca de 50 pessoas. No cardápio, o equivalente ao “arroz e feijão” japonês: lámen, teishoku, karê (a partir de R$ 22) e porções de rolinho primavera e guioza (a partir de R$ 12).

A Dona Ai Japanese Home Cooking abriu entre setembro e outubro no bairro Campina do Siqueira e é tocado por uma família nipo-brasileira: Luciano Lipski, curitibano, e Ai Iwaya, de Himeji, cidade japonesa irmã da capital paranaense. Luciano atende as mesas e Talita, a filha de 12 anos, faz companhia. O cozinheiro Sérgio Toshiaki Abe é quem divide a cozinha com a “dona” Ai. “Ele tira os nós do pensamento, ele entende o que eu quero dizer e o que eu espero na cozinha”, elogia Ai, que apesar de ter adotado o pronome de tratamento “dona”, tem apenas 37 anos. “Restaurante Dona Maria, Dona alguma coisa remete à cozinha caseira”, explicou.

Da esquerda para a direita: Sérgio Toshiaki Abe, Ai Iwaya, Luciano Lipski e a filha do casal, Talita. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O sucesso entre os clientes veio mesmo sem tecla SAP: “Tem gente que nem sabe o que está comendo e diz que sente amor na comida”, anima-se Ai, colocando as duas mãos no peito. O português de Ai é intermediário, mas os sorrisos no salão comprovam o relato. Em uma quarta-feira, uma família de descendentes japoneses, amigos em intervalo de trabalho e um cliente assíduo almoçavam no restaurante.

Cardápio

O restaurante atende para almoço de terça a sábado e para jantar de quinta a sábado. Os pratos são individuais e divididos em lámen (com quatro bases para o caldo: missô, shoyu, sal ou caldo de carne suína, de R$ 26 a R$ 36); teishoku (espécie de prato feito em nove versões, de R$ 26 a R$ 34), udon (macarrão com quatro tipos de acompanhamentos, de R$ 22 a R$ 32), yakisoba (tradicional ou abrasileirado, R$ 30 e R$ 25, respectivamente), karê (curry japonês preparado com quatro proteínas diferentes, de R$ 22 a R$ 36) e porções que vão desde o rolinho primavera (R$ 12) a batatas fritas (R$ 10), guioza (R$ 12, cinco unidades), frango empanado e lombo suíno.

Karê, o curry japonês, servido com gohan (arroz branco) e tonkatsu, carne suína empanada e frita. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Durante o primeiro ano de funcionamento, o que mais tem saído foi o katsudon, yakisoba e o lámen para os dias mais frios – a dupla de cozinheiros chega a fazer cinco quilos de macarrão para o almoço em dias de semana mais tranquilos. O katsudon é composto de gohan (arroz branco) com carne suína frita vem guarnecido de ovo cozido e vegetais. O yakisoba pode ser preparado à maneira tradicional, com macarrão caseiro cozido e molho mais adocicado, que leva shoyu, gengibre e saquê ou da maneira mais abrasileirada, com macarrão frito e molho à base de shoyu e caldo de galinha. A carne suína e os legumes são os mesmos para ambos: brócolis, cenoura, repolho e cebola.

Teishoku, prato feito japonês: uma das nove opções é com salmão. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O lámen pode ser preparado com caldo à base de missô, shoyu, sal ou caldo de carne suína, preparado na casa. O prato é montado com macarrão feito na casa, vegetais, alga wakame, broto de feijão, ovo cozido, conserva de gengibre e lombo suíno. Há ainda a versão mini e grande, com mais caldo e mais macarrão. Quem preferir ovo com gema mole, recomenda-se que ligue um dia antes para que eles preparem e deixem reservado. A pimenta togarashi, mesclada com outras especiarias, está disponível para temperar à mesa.

Do Japão para o Brasil

Não foi a cozinha que trouxe Ai Iwaya ao Brasil. Quando a “dona” Ai desembarcou em Curitiba, há 12 anos, foi porque decidiu atravessar o oceano para ter a filha no país natal do marido. Em Curitiba, Luciano era taxista como o pai. No Japão, Ai havia trabalhado em cozinha e atendimento na pousada com sua mãe e passado por cozinha hospitalar. Depois de cinco anos como dona de casa em Curitiba, Ai começou a preparar rolinho primavera para restaurantes asiáticos e voltou às cozinhas profissionais alguns anos depois.

Fachada do restaurante A Dona Ai exibe fotos dos preparos do cardápio. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

“Eu sentia falta da comida caseira japonesa. Não era a mesma coisa comer em restaurantes no Brasil”, relembra Ai. Luciano tinha o sonho de abrir um restaurante e, quando o imóvel da família foi desocupado, transformaram a casa de madeira com as próprias mãos. Foram eles que pintaram as paredes, reformaram o miolo e montaram o cardápio. Ela queria um nome em japonês, mas havia a possibilidade de os clientes não se lembrarem do nome. Cristãos, eles escolheram um nome que remete à cozinha caseira e também funciona como uma oração: A Dona Ai soa com Adonai, “meu senhor” em hebraico.

LEIA TAMBÉM

>>> Saiba onde tomar sopa em Curitiba

>>> Cozinha afetiva japonesa ganha reduto no centro de Curitiba

>>> Festival do Pão com Bolinho começa com mais de 50 opções a R$ 12