Dica: 10 textos geniais para celebrar o Dia Mundial da Poesia

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Neste domingo, 21 de março, celebramos o dia mundial da Poesia. Isso é um bom motivo para dar uma pausa do ‘stress’ e mergulhar nas pequenas e profundas alegrias que um belo poema pode nos proporcionar.

E para nos ajudar, lançamos um desafio sentimental à Maria Ângela de Novaes Marques, mediadora de leitura no Museu Casa Alfredo Andersen. Confira a sua lista e aproveite para abrir um bom vinho, afinal vinho e poesia são uma bela dupla.

1. A máquina do mundo. Carlos Drummond de Andrade;

“olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

Extrato do poema “A máquina do mundo”, publicado pela primeira vez na revista A Ordem, em novembro de 1949

2. Traduzir-se. Ferreira Gular;

“Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.”

3. Motivo. Cecília Meireles;

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta

4. Pneumotórax. Manuel Bandeira;

O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não.

A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Publicado em 1930, no livro Libertinagem, o poema Pneumotórax, uma das obras-primas de Manuel Bandeira (1886-1968), se tornou um clássico do modernismo brasileiro.

5. Tratado geral das grandezas do ínfimo. Manoel de Barros;

“A poesia está guardada nas palavras – é tudo que
eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades”

1937 — Poemas concebidos sem Pecado

6. Bem no fundo. Paulo Leminski;

“No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto…”

Trecho extraído do poema publicado em Toda Poesia, de Paulo Leminski Filho, nosso querido gênio curitibano.

7. Soneto da fidelidade. Vinícius de Moraes;

“De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.”

Trecho dos versos escritos em Portugal, em outubro de 1939, e posteriormente publicados no livro Poemas, Sonetos e Baladas (1946). 

8. Morte e Vida Severina. João Cabral de Melo Neto;

“E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena…”

Extrato de quando os personagens Severino e José retomam o diálogo, e a epifania é anunciada pela boca do novo pai.

9. Eu sei, mas não devia. Marina Colasanti;

“A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora… E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, …”

A crônica Eu sei, mas não devia, foi publicada pela primeira vez por Marina Colasanti (1937) no Jornal do Brasil, em 1972.

10. Versos íntimos. Augusto dos Anjos;

“Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!”

Trecho do soneto escrito em 1912 e publicado no mesmo ano no único livro lançado pelo autor. Intitulado Eu, a obra foi editada quando Augusto dos Anjos tinha 28 anos.

Esse conteúdo foi elaborado em parceria com Maria Ângela Novaes Marques, Mestre em Direito das Relações Sociais pela UFPR, mediadora de leitura e apaixonada por livros.

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