Volta aos palcos

“Emoção muito grande”, diz Nando Reis sobre retorno ao teatro em Curitiba

Por: Gabriel Krambeck
“Emoção muito grande”, diz Nando Reis sobre retorno ao teatro em Curitiba Foto: Divulgação.

Nando Reis retorna à Curitiba na sexta-feira (27) em evento-teste do Teatro Positivo. O modelo piloto marca a retomada gradual do setor de eventos no Paraná. Em entrevista ao Clube, o cantor contou sobre bastidores das apresentações na pandemia e emoção de levar o filho Sebastião aos palcos.

“Voltar a tocar no teatro, mesmo com uma ocupação menor é mais próximo do que eu vinha fazendo [em shows de outros anos]. Ver as pessoas reagindo é um elemento que acaba sendo incorporado à interpretação”, revela Nando sobre se apresentar no Grande Auditório do teatro.

O artista já tem data confirmada para a passagem da nova turnê em Curitiba, dia 26 de março.

Reis, pai e filho no palco

O show “Voz & Violão” trará a união de Nando Reis com seu filho Sebastião Reis, que já mostrou seu trabalho autoral na banda “Dois Reis”. No repertório, sucessos do pai como “Relicário” e “All Star”.

Em entrevista ao Clube, Nando também falou sobre a criação de músicas durante a pandemia, projetos digitais e a emoção de tocar em um teatro novamente.

A música “Esperar a Primavera” foi lançada durante a pandemia, como foi criar o projeto de forma remota?

A maior diferença é na hora de arranjar e gravar a música, porque a composição eu faço sempre sozinho. Como fiz nessa. No entanto, na hora de estruturar a banda toca junto, existe uma interação e troca de comentários que acaba sendo importante. Na gravação remota fizemos em etapas, o que deu pra música um efeito interessante. Como a música fala de liberdade, foi isso, cada músico teve a chance de colocar sua própria forma de entender a música ao gravar sozinho.

Seu canal do YouTube tem 1 milhão de inscritos e você o usa semanalmente para se conectar com fãs de todo o Brasil. Quais são as novidades de Nando Reis para os espaços digitais?

O canal virou uma plataforma de contato com os fãs muito agitada e muito rica também. Publico vídeos semanalmente e consigo ver que fui descobrindo uma linguagem gravando sozinho durante a pandemia. É um negócio que acabei inventando, mas não é um “canal de youtuber”. Fico feliz que o canal tenha alcançado essa marca expressiva de inscritos. Por outro lado não sei responder, a cada semana tem uma novidade.

Os seus shows desbravaram os espaços Drive-In e agora você retorna para o Teatro Positivo. Como se sente sobre se apresentar no teatro novamente?

Tocar no drive-in é muito diferente. As pessoas estão dentro do carro e, em apenas dois dos casos, elas podiam estar fora. Mas é um espaço aberto e grande, uma outra concepção. Voltar a tocar no teatro, mesmo com uma ocupação menor, é mais próximo do que eu vinha fazendo.

Juntando a experiência desses meses de pandemia, qual história mais te marcou nessa trajetória de shows?

A reação mais marcante foi no primeiro drive-in, em São Paulo no Allianz Parque. Mesmo as pessoas dentro dos seus carros, em um espaço tão grande que a vista nem alcançava os últimos carros, era nítida a emoção de todos os presentes. Por estarem, depois de alguns meses, retomando minimamente as saídas de casa. Os aplausos que eram em forma de buzina, faróis e parabrisas foram se avolumando. No final foi catártico, então foi uma coisa muito marcante que tem mais a ver com o drama que todos nós estávamos vivendo de forma muito aguda naquele momento. E ainda estamos.

Quem te acompanha no show “Voz e Violão” é seu filho, Sebastião Reis. Conte um pouco sobre como é vê-lo tocar suas músicas nos palcos.

Tocar com ele é muito bom, além de ser emocionante. Ele tem sido um companheiro musical e de palco. A cada live ou show que fazemos o entrosamento fica maior, é uma conversa que enriquece e traz emoção. Sebastião está tocando muito bem e ele é muito carismático. Algo que eu percebo é que somos muito parecidos e, no entanto, diferentes. Porque além de ser obviamente outra pessoa, é uma espécie de evolução que incorpora no gestual e na sua música outros elementos. É como se tivesse diante dos olhos uma espécie de interpretação da passagem do tempo. Sebastião é um jovem de 25 anos, eu sou um senhor de 57 (risos).

O retorno à cidade está marcado para março. O que faz Curitiba ser destino certo de todas suas turnês?

Curitiba é uma cidade querida e importante. Já fiz inúmeros shows no Teatro Positivo e vários espaços, ao certo, porque me recebe bem. Fico muito feliz toda vez que chego aí para tocar e passar um dia nessa cidade tão bonita.

Reabertura do teatro

Encerrando o sétimo mês da chegada da Covid-19 no Brasil, o setor de produção de eventos busca novos formatos para os shows além das opções drive-in. Os protocolos do evento de sexta-feira foram construídos pela produtora Prime e a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) e estão sendo avaliados pela Secretaria Municipal de Saúde, pensando em espetáculos futuros.

Entre as medidas adotadas no modelo piloto estão: diminuição da capacidade em 50%, medição de temperatura, distanciamento de público em filas e durante o espetáculo, álcool em gel em todos ambientes e validação de ingresso com monitoria no local. A entrada no evento é controlada e a saída (ao término da apresentação) é escalonada a cada cinco minutos para maior conforto.

O apoio de cada um para garantir segurança máxima do evento está no uso obrigatório de máscara e atenção ao distanciamento físico de cada setor. O público tem orientação desde o momento de aquisição do ingresso, recebendo um termo de compromisso com o cumprimento das normas.