Uma das mais antigas artes do mundo moderno, o circo tradicional, aquele que passa de pai para filho, era um dos temas que mais se relacionavam com o fotógrafo Melvin Quaresma quando ele começou a levar a fotografia a sério. “Eu buscava temas que tivessem uma relação comigo e o circo era uma delas, mexia com as minhas memórias”, contou.

O fotógrafo, que estreou uma exposição com 17 peças em pano - para lembrar a lona e o ambiente do circo - no subsolo da Ópera de Arame em Curitiba, tinha a intenção de fotografar os espetáculos, mas acabou preferindo conviver com os artistas e viver a vida de um artista circense nos arredores da lona e do picadeiro. Nas fotos, Melvin retrata as crianças do circo, que vivem apegadas às acrobacias que aprendem desde o berço, o trapezista, que não parece ter medo ao se equilibrar no precário trapézio e o pequeno palhaço que espia pelo buraco da lona a plateia que o espera para dar boas risadas.

Difícil mesmo era quando a lona se levantava para a partida. “Eu me apegava, era sempre difícil esse momento da partida”. A exposição de Quaresma mostra artistas de cinco circos diferentes, todos enquanto estavam em Curitiba ou região metropolitana.O trabalho de captação durou cinco anos.

Para Quaresma, o circo moderno fez com que se deixasse de lado o circo tradicional e falta apoio para este tipo de artista. “Há uma imagem distorcida do que é o circo tradicional hoje. Falta um resgate do brilho do circo que faz tanto com tão pouco”, acredita.

A exposição fica aberta até o dia 10 de janeiro no Ópera Arte, no subsolo da Ópera de Arame. A entrada é gratuita.