Quando leu o resultado de uma pesquisa Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre os hábitos culturais dos brasileiros, publicada em 2013, a curadora Ana Rocha chocou-se com o fato de 85% dos brasileiros nunca terem entrado em um museu. “Percebi como se produz arte para uma bolha, um pequeno grupo de pessoas que têm interesse em arte”.

Esta inquietação a levou a pensar na melhor forma de inverter este fluxo, levar a arte naturalmente destinada aos museus para a rua, ao invés de chamar o público a estes espaços formais da arte.

O resultado deste processo pode ser visto a partir deste sábado (9) quando abre a exposição Cada Vez Mais Perto exibe obras de quatro artistas gratuitamente em diferentes espaços do centro de Curitiba.

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Ana reuniu quatro importante artistas contemporâneos: Cléverson Luiz Sálvaro, Fernando Ribeiro, Willian Santos e Tony Camargo com o pedido para que eles criassem performances e intervenções artísticas que tivessem um contato direto com as pessoas e com a paisagem urbana.

A abertura é na praça Tiradentes no marco zero da cidade, onde, das 11h às 14h, serão distribuídos mapas mostrando onde estão localizadas as intervenções artísticas.

Ruas e casas

Três instalações têm endereços fixos e uma é móvel. Na rua ébano Pereira, 196, o artista Fernando Ribeiro desenvolve a performance de longa duração Distentio Anime, ocupando um dos antigos cinemas de rua de Curitiba, o Cine Condor. O artista ficar seis horas por dia produzindo tijolos de gesso que serão usados para a construção de um labirinto no espaço.

Outros dois artistas Willian Santos e Cleverson Sálvaro ocupam duas residências no centro histórico. O primeiro um apartamento em um dos edifício mais antigos da praça Tiradentes e o segundo um casarão no bairro São Francisco. A ideia é que público entre nas casas e veja as reflexões sobre a passagem do tempo e outra inqueiteações que o cotidiano urbano nos impõe.

A quarta obra usa a repetição como uma estratégia de estranhamento. No trabalho, atores usam um uniforme -- calça vermelha, camisa da seleção brasileira, boné e óculos --, carregam consigo uma placa que sinaliza uma rotatória e caminham por um trajeto circular, repetindo um mesmo movimento.

“A ideia é causar questionamento na vida cotidiana das pessoas. Ninguém está obrigado a entender, julgar e ou mesmo notar os trabalhos, mas eles estarão fazendo parte da cidade durante este período”. As ações vão acontecer até o dia 07 de julho.