"Oh, Terezinha, é um barato o centenário do Chacrinha!" O samba-enredo 2018 do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Acadêmicos da Realeza, em Curitiba, é uma homenagem aos 100 anos de Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Ensaiando às quintas e domingos na antiga sede da Sociedade Vasco da Gama, conhecida como "Vasquinho", a escola se prepara para o carnaval curitibano.

Marcado para as 15h30 do domingo, o ensaio ainda está aquecendo quando conversamos com o diretor de carnaval da Realeza, Marcelo Nunes. Ele e toda a família estão envolvidos na realização dos ensaios. A esposa ajuda na recepção dos visitantes, enquanto um dos filhos faz parte da bateria da escola. "Organizar o cotidiano da escola não é fácil, mas é prazeroso. Nós nos tratamos como uma família. Hoje nós temos uma diretoria atuante, harmonia e ala musical bem definidas, barracões funcionando. Tudo isso só acontece porque as pessoas acreditam no projeto", avalia.

Os casais mais importantes da Realeza


Assim como Nunes, que é empresário, os dois casais de mestre-sala e porta-bandeira da escola têm outras profissões fora do carnaval, mas fazem questão de dedicar seu tempo também aos ensaios da Realeza. A primeira porta-bandeira, Fernanda Blanco, é administradora e também trabalha com micropigmentação e como cabeleireira. "Ser mestre-sala e porta-bandeira em Curitiba não faz parte da nossa profissão. A gente trabalha todos os dias normalmente, mas sempre tem que dar um jeitinho de ensaiar, fazer workshops e estudar. É preciso estudar muito", conta ela, que desfila pela escola há três anos.

A persistência é movida pela paixão. Para Hyan Henrique, primeiro mestre-sala - e vendedor de uma loja de roupas -, o frio na barriga ao entrar na avenida faz o esforço valer a pena. "Tudo isso mexe muito comigo. Quando a gente atravessa o portão e começa a descer, a sensação é indescritível. Por isso eu sempre dou um jeito de estar nos ensaios, porque se a gente parar a gente não evolui como é preciso."

Com apenas 18 anos, a babá Luana Martins vai desfilar como porta-bandeira da Realeza pela primeira vez, mas já está no carnaval curitibano há seis anos. Ela começou a desfilar aos 12 anos, como porta-estandarte da Embaixadores da Alegria. "A gente não controla a emoção, porque é melhor não controlar. Assim, você dança com todo o sentimento que está em você", explica a jovem veterana. No desfile do mês que vem ela vai estrear na escola ao lado do também estreante mestre-sala Rafael Marques, que trabalha no barracão da Realeza.

O bichinho do carnaval


Bruno Moreira Manfrinatti é estudante de veterinária e faz questão de desfilar pela escola. Assíduo frequentador dos ensaios da Acadêmicos da Realeza, ele diz que o carnaval é um programa de amigos. "Eu desfilo por causa da energia, é um momento de felicidade e diversão com as pessoas de quem eu gosto." Neste domingo ele trazia ao ensaio a amiga Raissa Arruda, estudante de gastronomia. Era a primeira vez que ela prestigiava o evento. "Eu sempre vejo meus amigos desfilarem, então vim conhecer o ensaio."

Dentro do Vasquinho, a bateria começava a tocar, enquanto o público continuava chegando. Animado, Nunes acompanhava com atenção cada detalhe do que estava acontecendo. "O carnaval é minha vida. Eu já tentei me afastar, mas não tem como. A gente brinca que existe o mosquito da dengue, a flecha do cupido e o bichinho do carnaval. Quando você é picado por esse sentimento, dificilmente você consegue sair."