O som do violino entre as mesas no ambiente à luz de velas do velho casarão é a essência da casa mais surpreendente da cidade. Não há nada parecido com o Palco dos 5 Sentidos (Rua Barão do Rio Branco, 438, Centro) em Curitiba.  

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O espaço aberto em janeiro para a arte e culinária local é misto de restaurante e casa de concertos com alma boêmia. Para fechar o pacote, o endereço é o revitalizado casarão onde funcionou orginalmente o histórico Bar Palácio.  

A casa é união de “sonhos e esforços” do casal Rebeca Vieira, violinista e Otávio Urquiza, arquiteto. “É um sonho, uma ousadia grande. A gente acredita muito. Tem sido árduo, mas nós fazemos com muita paixão. Já estamos sentindo o gostinho da resposta”, disse Otávio.

Otávio Urquiza e Rebeca Vieira, do Palco dos 5 Sentidos.

Rebeca tem cuidado especial com a programação artística. Às segundas-feiras, há apresentação de tango com o maestro Alejandro de Nubila e outros músicos. Nas terças, instrumentistas de música clássica. Nas quartas-feiras, um dos projetos especiais da casa: Música de Cinema.

Nele, o barítono Paulo Barato canta temas marcantes do cinema. Quinta é a noite do canto lírico. Na sexta, o palco está aberto a projetos de jazz, música experimental e brasileira. O violonista Marcel Powell, por exemplo, participou de uma noite destas recentemente. “A proposta é de uma música de qualidade que nós chamamos de clássica, mas que hoje inclui música contemporânea sofisticada que vai além da ideia de música erudita”, disse Rebeca.

Cozinha “Quilômetro Zero”

Na mesa de jantar, o vinho e os produtos servidos são feitos por produtores locais, pois a casa adota o conceito de “quilômetro 0” com uma base de fornecedores locais.

O carro chefe da cozinha é o Raclette (prato com queijo derretido, típico da Suiça). Em diversas versões (o preço vai de R$ 30 a R$ 130, para duas pessoas), é feito com queijo produzido em Witmarsun.  A carta de vinhos é toda da premiada vinícola Araucária, de São José dos Pinhais.

Otávio conta que trouxe este conceito de seus projetos arquitetônicos. “Os novos ciclos sociais e econômicos serão locais. Dentro desta ideia de economia horizontal. Minha arquitetura é baseada nisso e as pessoas também sabem disso, só as estruturas de poder ainda não”, disse.

Todo o conceito da casa, inclusive o nome, tem origem em ideias da arquitetura contemporânea. “Tudo precisa provocar os cinco sentidos. É este prédio, é esta rua, é a música, é o vinho da região, é o queijo de Witmarsun. O melhor da terra chamando exclamações, as pessoas não elogiam, eles se emocionam quando experimentam”.

Curitiba de galochas

No cardápio há também pizza artesanal (R$ 30) e opções de pratos de massa e carne. No almoço (R$ 18), há opções vegetarianas, veganas, low carb e pratos executivos com carne e peixe. Outro destaque do cardápio é a sobremesa (R$ 28) que remete a história do imóvel da casa: a “curitibana de Galochas”.

“É uma homenagem ao tradicional Mineiro de Botas (sobremesa clássica do Bar Palácio) adaptada. Tem queijo, banana e goiabada flambados com uma bola de sorvete caseiro. Cultivamos a história”, disse Otávio.