Uma pizza combina muito com uma taça de vinho que se afina perfeitamente com um espetinho de picanha que, por sua vez, cai muito bem com chope artesanal cujo sabor, todos sabem, harmoniza à perfeição com hambúrguer, mas, também, vai muito bem com sushis e sashimis e estes, claro, também casam muito bem com vinho. E tudo fica ainda melhor com boa música.

>>> 15 anos de selfies nos cones gigantes do MON. Mas por que eles estão ali?

Com esta ideia na cabeça, seis estabelecimentos que ocupam a mesma calçada na rua Álvaro Botelho, no Bacacheri em Curitiba, fizeram um arranjo colaborativo e decidiram se ajudar mutuamente, no lugar de competir.

>>> A última noite da Wood's em Curitiba: saiba como foi a despedida da casa sertaneja

Cada uma das lojas do “calçadão do Bacacheri”, além de vender suas próprias especialidades, incentiva seus clientes a comprarem produtos dos vizinhos. O incentivo é real, cada casa tem o cardápio das demais e, se preciso for, manda buscar o pedido. Nos fins de semana, as casas racham o valor de atrações musicais para dar aos frequentadores a opção de curtir boa música e boa gastronomia. O som é sempre de blues, jazz ou folk.

Nesta sábado, (9) tem show da banda folk Cheap Project no “calçadão”. Boa oportunidade para reconhecer o point "barateza" o do Bacacheri.

Toda essa mistura de música, arte e gastronomia dá certo, pois as lojas do “calçadão do Bacacheri” têm perfil complementar. A Espetaria do Simprão vende, obviamente, espetinhos. A Growlex trabalha com cervejas especiais. Com 32 anos de tradição, a pizzaria La Piova é a loja mais antiga da rua. A mais nova é a Armazém Jacobina que vende vinhos e produtos gastronômicos. O Dom Sushibar é especializado em comida oriental e o Marujo’s Burguer faz hambúrgueres artesanais.  

Com esta ordem colaborativa, o calçadão de petit pavé (bem colocado) está sempre cheio de clientes migrando de um estabelecimento para o outro e mesas na calçada, quando o tempo não está hostil.

“O cliente pode pedir o vinho aqui do lado e beber aqui com nosso espetinho. Serve para qualquer comida de qualquer loja. Eu nunca vi isso em lugar nenhum”, explica Eduardo Klisiewicz.

Polo barato e espontâneo

O modelo do “calçadão do Bacacheri” é um pouco diferente dos diversos polos gastronômicos espalhados pela cidade nos últimos três anos.

Se em espaços como o C’adore e o Mercado de Sal a ideia é misturar restaurantes a outras lojas para que as pessoas comam sob um mesmo teto, no “calçadão” o cliente é incentivado a comprar e consumir naquela loja que melhor lhe aprouver. Há outro fator que a clientela destaca: o preço. "O calçadão é tão bom e mais barato", Ludovico Júnior.

Segundo Eduardo, as conversas entre os donos dos estabelecimentos incluíram um acordo sobre “ética nos preços”. “Todas as lojas têm a mesma ideia de servir bons produtos a preços honestos”, disse.

Outra diferença fundamental é que o arranjo colaborativo nasceu de forma espontânea, sem um projeto pré-concebido. Nasceu de uma conversa puxada por Rafael Prá, o empresário por traz da Growlex.

“Nosso conceito é cerveja e não mexer com comida. Eu não sei fazer, é outro e investimento e legislação. Então pensei, por que não os caras servirem aqui trazendo mais gente e aumentando o tempo de permanência no meu bar?”, explica.

Para ele, o “calçadão” está dentro de uma ideia contemporânea de economia. “Tudo que vem dando certo no mundo contemporâneo é feito em parceria, em colaboração. A união aumentou o valor individual de cada negócio”.

Dono do Armazém Jacobina, Julio Edling, disse que a resposta tem sido a melhor possível. “Causa uma sensação boa no cliente que percebe disso e traz novas pessoas para conhecer o calçadão”.O decano da turma, Jamil Romanoski, da La Piova destaca outra vantagem que o movimento das lojas trouxe ao bairro. “Acho muito bom. [Os estabelecimento] não são do mesmo segmento, todo mundo ganha junto e fica mais seguro para todos”, disse.