A missão dos irmãos Joe e Anthony Russo não era fácil. A dupla precisou conduzir uma orquestra numerosa, fazer aventuras em diferentes planetas terem sentido e não deixar o público se perder em meio a tantos personagens e tramas desse crossover que é "Guerra Infinita". A boa notícia é que eles conseguiram.

Thanos (Josh Brolin) é um semideus de Titã que planeja reunir as seis joias do infinito para tornar sua missão mais rápida: eliminar metade da população do universo para os mundos poderem prosperar em paz.

O longa começa com uma sequência brutal, mandando o recado de que mortes farão parte da trama -a qual, após essa apresentação, se divide em dois enredos paralelos.

O primeiro se passa na Terra, com Tony Stark (Robert Downey Jr., sempre um show à parte) preparando-se para seu casamento com Pepper (Gwyneth Paltrow) quando recebe um pedido de ajuda do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), possuidor de uma das joias do infinito.

Os Vingadores, separados desde "Guerra Civil", se unem para impedir que os arautos de Thanos recuperem as gemas, dando tempo ao humor que enverniza quase todo o filme e para as cenas de ação que fizeram a fama dos Russos.

O segundo enredo se passa no espaço e agrupa Thor com os Guardiões da Galáxia.

Um dos grandes acertos de "Guerra Infinita" (e da Marvel nos últimos cinco anos) é utilizar cada aspecto de tom, visual e voz dos filmes anteriores.

Quando saímos da tensão do Capitão América (Chris Evans) protegendo Visão (Paul Bettany) e caímos na nave de Peter Quill (Chris Pratt), o contraste entre o realismo do primeiro e as cores e trilha do segundo é impactante. É como ver vários longas em um.

O filme funciona como um "O Império Contra-Ataca" do Universo Marvel. É sombrio, emocionante e inesperado em diversos momentos. Serve como um final digno para os dez anos do estúdio, fazendo ligações surpreendentes e retomando personagens de quase todas as obras anteriores.

Claro que o preço de unir tantos personagens em um único longa é alto. O Capitão América, que havia se tornado o herói mais interessante do estúdio desde "Soldado Invernal", é pouco explorado. Também não há um lado político complexo.

Já Thor é o carro-chefe das melhores sequências, mantendo o humor de "Ragnarok", mas trazendo de volta o tom nobre dos primeiros filmes.

Thanos realmente é a estrela perigosa que todos esperavam, existe uma conclusão e o final vai deixar muita gente de queixo caído, sofrendo. Ou na fila até 2019, quando virá a segunda parte do longa.