Videolocadora mais antiga da América Latina ainda em atividade, a Video 1 vai fechar as portas no próximo dia 31 de maio depois de 38 anos como referência deste mercado em Curitiba.

O empreendimento da família Ribas foi pioneiro na cidade, abriu as portas em 22 de maio de 1980.  Foi o segundo do gênero no Brasil. A marca que chegou a ter diversas lojas, desde 2010 funcionava apenas na sede original, no bairro das Mercês. Os Ribas parecem ter percebido que não é possível rebobinar o tempo em que as locadoras eram espaço sagrado para as famílias.

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Invés de culpar os “suspeitos habituais” como a ascensão das tevês por assinatura e serviços de streaming, Luiz Fernando Ribas avalia que uma mudança de hábitos culturais corroeram o mercado em que trabalhou nas últimas décadas.“O ritual de assistir a um filme é importante para cada vez menos gente, que tem outras opções de entretenimento em geral na internet”, avalia.

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Ele explica que o custo é muito grande para manter a estrutura a serviço de poucos cinéfilos. “Eu brincava com clientes antigos que lamentam o encerramento das atividades que se eles aumentassem a frequência nos poderíamos manter a casa aberta por mais alguns meses”, disse.

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Criador do negócio, seu pai, o empresário Luiz Renato Ribas conta que a sobrevida do mercado superou sua expectativa de que as lojas físicas estivessem extintas em 2015.

Ainda há outros estabelecimentos ativos na cidade, com destaque para a Cartoon Vídeo que sobrevive ao encerramento das atividades de seu principal concorrente. Luiz Fernando conta que nos últimos meses, a locadora lutou para empatar os gastos.

O acervo está sendo vendido. Boa parte dos 34 mil títulos já estão nas mãos de colecionadores e do acervo do Clube Curitibano.

Pioneirisno e antipirataria

Por ser a pioneira no Brasil, a Video 1 passou por todas as fases do mercado de cinema em casa. Nos primórdios, a loja funcionava como um autêntico clube de vídeo em que se cobrava joia para entrar e uma mensalidade dos associados.

Era o tempo das fitas ‘alternativas’ ou piratas em um tempo em que os vídeo cassetes eram raros e precisavam ser importados informalmente em viagens aos exterior e ao Paraguai. “Lembro que O Nome da Rosa, filme de 1986, chegou na locadora seis meses antes de ser exibido nos cinemas”, disse Luiz Fernando.

Foi nesta época, que a Video 1, na figura de se fundador Luiz Renato Ribas, liderou um movimento nacional pela legalização do setor que levou aos selos da Embrafilme para as poucas fitas originais que haviam no mercado.

Ribas correu o país tentando conscientizar os empresários do setor a operar na legalidade, o que lhe rendeu algumas inimizades. “Meu pai foi talvez o principal responsável pelo fim da pirataria e por criar uma regulamentação para o mercado”.

A partir deste momento com entrada das chamadas major – as distribuidoras de filmes dos grandes estúdios americanos no Brasil – o negócio das locadoras “bombou” e foi muito rentável  ate o início do século XXI quando entrou em viés de baixa.

Hoje é economicamente inviável. “Sinto uma tristeza profunda. Foram quase 40 dos meus 55 anos na locadora. Dói por que é um ambiente de muita troca cultural, de bom humor, de gente apaixonada por cinema. Agora vou precisar inventar outra coisa para fazer o que não é fácil”, disse Luiz Fernando.