O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, foi o escolhido para disputar uma vaga entre os cinco longas finalistas na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2019. O título foi definido na manhã desta terça, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, por uma comissão nomeada pelo Ministério da Cultura.

O filme, que chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 15 de novembro, conta a história de cinco gerações de uma família circense. O longa já foi exibido no festival de Cannes desse ano e também abriu o Festival de Cinema de Gramado. No elenco, estão Jesuíta Barbosa, Bruna Linzmeyer, Antônio Fagundes, Juliano Cazarré, Marcos Frota, Mariana Ximenes e Vincent Cassel.

Brasil no Oscar

Tem sido um longo jejum brasileiro na festa da Academia de Hollywood. O último filme selecionado para concorrer foi Central do Brasil, de Walter Salles, em 1999. Em 2006, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, foi pré-indicado na listas de nove, mas não ficou entre os cinco finalistas. A última indicação não ocorreu na categorias de filme estrangeiro, mas na de melhor animação - O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, em 2016.

Todo ano surgem as mesmas dúvidas - o que seria o concorrente ideal do Brasil no Oscar? Talvez o grande equívoco das comissões que indicam o concorrente brasileiro seja tentar pensar com a cabeça da Academia. O Oscar de filme estrangeiro é dos que mais ousam - e surpreendem. Mesmo assim, ocorrem coisas como o caso Cidade de Deus. Ignorado no Oscar de filme estrangeiro de 2003, o longa de Fernando Meirelles cravou quatro indicações no ano seguinte, incluindo direção, roteiro, montagem e fotografia. Outras vezes em que o Brasil esteve pertinho do Oscar - em 2012, Carlinhos Brown concorreu a melhor canção, por Rio; em 2015, O Sal da Terra, codirigido por Juliano Salgado, filho do fotógrafo Sebastião Salgado - personagem principal -, foi indicado para melhor documentário.

Em 1986, William Hurt foi melhor ator por O Beijo da Mulher Aranha, coprodução dirigida (em São Paulo) por Hector Babenco. Em 2005, o uruguaio Jorge Drexler venceu o Oscar de canção por Al Otro Lado del Rio, tema do filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles. Entre os filmes que disputam a indicação deste ano, destacam-se duas ótimas produções de gênero - O Animal Cordial, terror de Gabriela Amaral Almeida, e As Boas Maneiras, outro terror, da dupla Marco Dutra/Juliana Rojas. Ferrugem, de Aly Muritiba, já foi aprovado por uma plateia dos EUA, a de Sundance. Juventude, redes sociais, tudo isso pode somar. O veterano Cacá Diegues está na disputa por Grande Circo Místico. E há o belíssimo Benzinho, de Gustavo Pizzi. 


Os 22 concorrentes:


- Além do Homem, de Willy Biondani

- Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho e Mariana Bastos

- O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida

- Antes que Eu Me Esqueça, de Tiago Arakilian

- Aos Teus Olhos, de Carolina Jabor

- As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra

- Benzinho, de Gustavo Pizzi

- Canastra Suja, de Caio Soh

- Como É Cruel Viver Assim, de Julia Rezende

- Dedo na Ferida, de Silvio Tendler

- Encantados, de Tizuka Yamasaki

- Entre Irmãs, de Breno Silveira

- Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi

- Ferrugem, de Aly Muritiba

- Não Devore Meu Coração!, de Filipe Bragança

- O Caso do Homem Errado, de Camila de Moraes

- O Desmonte do Monte, de Sinai Sganzerla

- O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues

- Paraíso Perdido, de Monique Gardenberg

- Talvez uma História de Amor, de Rodrigo Bernardo

- Unicórnio, de Eduardo Nunes

- Yonlu, de Hique Montanari