Para assistir “Dr. Sono”, continuação do “O Iluminado” que estreia na quinta-feira (07) em todos os cinemas do Brasil, é preciso estar preparado para voltar ao “Hotel Overlook”. A adaptação do livro de Stephen King e sequência espiritual do filme de Stanley Kubrick, feita pelo diretor Mike Flanagan, traz alguns ajustes de roteiro para garantir a continuidade da adaptação cult do primeiro filme.

Na trama, depois de 40 anos, Danny Torrance está de volta ao hotel Overlook, onde teria escapado com a mãe na sua infância. O novo material traz uma história mais leve e consideravelmente divertida. Um culto autodenominado de “Verdadeiro Nó” caça crianças com poderes, as iluminadas, para manter essas almas como seu alimento em vasilhas de prata. Liderados pela sedutora Rose the Hat, de Rebecca Ferguson, eles comem gritos e bebem dor em troca de uma vida mais longa (não necessariamente eterna).

O filme se move entre o culto, o adulto Danny, agora passando por Dan (Ewan McGregor, atrás de uma barba espessa), e uma jovem com poderes telepáticos chamada Abra (como em cadabra), interpretada com determinação de Kyliegh Curran. Demora um pouco para que suas histórias se cruzem.

A memória para os fãs de Kubrick está completa: com imitações fantasmagóricas de Jack Nicholson e Shelley Duvall. O próprio hotel e as imagens na cabeça do adulto Dan, revivendo cada espaço do hotel, do tapete ao quarto 237 e todas as almas que o aterrorizavam (incluindo as gêmeas!).

Sabe aquela cena assustadora em que um mar de sangue é despejado pelo elevador do Hotel Overlook? Pois é, ela está "de volta" em "Doutor Sono", mas olhos bem atentos poderão perceber uma diferença: como no filme de Kubrick, Danny era ainda uma criança, o ângulo da câmera é mais baixo, para simular o sue ponto de vista. Em "Doutor Sono", a câmera está mais alta, pois parte do ponto de vista da vilã Rose. O filme tem uma trama própria, mas traz muito saudosismo para quem quer se lembrar das cenas clássicas do filme de horror dos anos 1980.