Os fatos mais importantes da produção dos quadrinhos no Brasil contemporâneo estarão representados por seus protagonistas na Bienal de Quadrinhos de Curitiba de 2018.

O evento, que acontece entre os dias 6 e 9 de setembro no Museu Municipal de Arte (MuMA), terá mais de 60 convidados. Entre eles, nomes como Marcelo D'Salete, autor de “Angola Janga” e “Cumbe” (Veneta), indicado ao prêmio Eisner (o mais importante das HQs no mundo), Luli Penna, da Revista Piauí, e autora da HQ “Sem Dó”, (Todavia) e Gidalti Jr., vencedor do Prêmio Jabuti com o álbum “Castanha do Pará” e recente vítima de censura em exposição de seu trabalho em Belém.

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O veterano Julio Shimamoto, de 78 anos, referência no quadrinho de terror brasileiro da década de 1970, deixou de lado a sua aversão a eventos públicos e vai prestigiar a festa dos quadrinhos em Curitiba.

“Ele não participa de um evento há pelo menos vinte anos. Ele é um dos principais nomes da geração Grafipar (lendária editoria de HQs curitibana criada na década de 1970). Ele é um convidado que a gente sempre quis trazer”, explica o diretor da Bienal, Fabrizio Andriani. 

Anunciada pela organização da Bienal, em junho a presença de Juliano Enrico e Andrei Duarte, criadores da série de sucesso “Irmão do Jorel”, ainda precisa de confirmação. A direção espera ainda anunciar um peso-pesado do quadrinho nacional cuja a presença ainda está em negociação.

A urbe em quadrinhos

O tema escolhido para a edição 2018 é “A Cidade em Quadrinhos”. “É tudo aquilo que envolve a dinâmica da cidade. A cidade como um personagem vivo, a cidade que está nos quadrinhos e na cabeça das pessoas que circulam pela urbe”, explica Mitie Taketani.

A proprietária da loja Itiban Comic Shop, especializada em HQ, é curadora da 5ª edição da Bienal de Quadrinhos de Curitiba ao lado de Érico Assis, jornalista especializado em quadrinhos e tradutor de HQs.

Segundo Andriani, a expectativa é que o público que compareceu ao evento no ano passado – cerca de 30 mil pessoas – seja superado nesta edição. Em sua última edição, em 2016, a Bienal trouxe nomes como o catalão Joan Cornellá, a equatoriana Power Paola, o uruguaio Troche e os brasileiros Laerte, Jaguar, Marcello Quintanilha, Rafael Sica e Benício.

“A gente vai fazer o melhor evento possível, ainda que a gente nunca tenha conseguido trabalhar com folga de orçamento. A Bienal é um evento que está consolidado, mas ainda assim não conseguimos sensibilizar os empresários do estado, mas mesmo assim evento será maior do que o do ano passado”, acredita. Financiado através de Lei de Incentivo a Cultural, a Bienal tem a Sanepar como patrocinadora principal.

Homenageado

O homenageado da edição, que irá receber o Prêmio Cláudio Seto de Quadrinhos, é Key Imaguire. O arquiteto é dono de um precioso acervo de quadrinhos e idealizador da Gibiteca de Curitiba, a primeira do Brasil.